26.03.2008 14:57

Memórias de uma feira

 
 

A Feira Popular de Lisboa nasceu em 1943 no Parque da Palhavã, onde hoje está a Fundação Gulbenkian. Os feirantes passaram depois pelo Jardim da Estrela e, em 1961, fixaram-se em Entrecampos. Com o passar dos anos, a Feira Popular transformou-se num ponto obrigatório de festas e romarias. Em Outubro de 2003, o espaço foi encerrado e os feirantes viram a vida virar-se ao contrário.

Na altura do encerramento, José Lito contava já com 42 anos de vida de feirante. Foi na Feira Popular que criou os seis filhos com o dinheiro do "Poço da Morte" e, mais tarde, com barquinhos de choque. Quando José Lito foi avô, apenas alguns restaurantes continuavam abertos. A tradição da família acabou na terceira geração.



António Amaral trabalhava e vivia na Feira Popular. Quando percebeu que o comboio fantasma ia desaparecer, como todas as outras atracções da feira, só pensou que não ia ter mais onde dormir.



Celeste Campos deixou Barcelos aos 17 anos e decidiu tentar a sorte na capital do país. Celeste e o marido criaram na Feira um restaurante, uma casa de jogos e uma loja de loiças.



António Luís chegou a ter 16 atracções no espaço de Entrecampos. Em 2003, teve de acabar com o negócio e despedir trabalhadores que o acompanhavam há mais de 30 anos.



Desde o encerramento, foram vários os locais apontados para o futuro parque de diversões de Lisboa. A indecisão permanece e a vida de muitos feirantes continua em suspenso. Esta semana, o Perdidos e Achados reencontrou homens e mulheres que fizeram a Feira Popular durante mais de 40 anos.






Jornalista: Catarina Neves

Imagem: Pedro Carpinteiro

Edição: João Nunes

Produção: Eduarda Batalheiro; Diana Matias

Coordenação: Sofia Pinto Coelho

Direcção: Alcides Vieira
Atenção: este é um espaço público e moderado. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.