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Perdidos e Achados

SÁBADO NO JORNAL DA NOITE

Perdidos e Achados

Geração à Rasca, Cinco Anos Depois

João Labrincha, Paula Gil, Alexandre Sousa Carvalho e António Frazão conheceram-se na faculdade, em Coimbra, no curso de Relações Internacionais. Recém-licenciados constatam o desequilíbrio entre o que podem dar a Portugal e o espaço profissional que há no país. E dão-se conta que não estão sozinhos na procura frustrada de um contrato de trabalho justo e duradouro.

Meio milhão de pessoas em todo o país, responderam ao desafio lançado no facebook por um grupo de jovens "à rasca".

Meio milhão de pessoas em todo o país, responderam ao desafio lançado no facebook por um grupo de jovens "à rasca".

João Labrincha diz que continua precário, mas feliz com os pequenos pontos que acredita ir marcando na agenda política e social do país.

João Labrincha diz que continua precário, mas feliz com os pequenos pontos que acredita ir marcando na agenda política e social do país.

António Frazão tem hoje um contrato a termo com uma plataforma representativa de organizações de juventude.

António Frazão tem hoje um contrato a termo com uma plataforma representativa de organizações de juventude.

Paula Gil prefere não dizer onde trabalha, diz ser um exemplo de falso recibo verde.

Paula Gil prefere não dizer onde trabalha, diz ser um exemplo de falso recibo verde.

Alexandre Sousa Carvalho é consultor numa faculdade enquanto termina o doutoramento

Alexandre Sousa Carvalho é consultor numa faculdade enquanto termina o doutoramento

Era já 2011 no mundo. Viviam-se as "Primaveras Árabes" e Portugal contava com quase 840 mil pessoas em situação precária, a maior parte com contrato a prazo. O número, do Instituto Nacional de Estatística, subia no trimestre seguinte. No ano anterior estavam registadas 266 empresas de trabalho temporário sendo que 198 intervieram no mercado, empregando 279.924 trabalhadores durante esse ano e alcançando uma faturação de 960 milhões de euros. No ano seguinte, 2012, o trabalho precário e o desemprego passaram, juntos, a representar mais de 50% da força de trabalho.

Mais de 50% foi também o quanto cresceu o número de saídas de Portugal entre 2010 e 2013.

Entre 2013 e 2014, a emigração estabilizou em volta das 110 mil pessoas por ano. É preciso recuar a 1973 para se encontrar valores de emigração desta ordem de grandeza.

De acordo com o Observatório da Emigração, Portugal é hoje o país da União Europeia com mais emigrantes em proporção da população residente. Mais de dois milhões ou seja 20% dos portugueses vivem fora do país onde nasceram.

Quando a geração outrora chamada rasca se afirma à rasca, José Sócrates é ainda primeiro-ministro, mas enfrenta já dificuldades em aliviar a pressão de que vai sendo alvo, em várias frentes.

O grito de alerta independente de apoios partidários ou sindicais é lançado pelos amigos João Labrincha, Paula Gil, Alexandre Sousa Carvalho e António Frazão, no Facebook e acaba por trazer até às ruas de Lisboa cerca de 300 mil pessoas. Meio milhão em todo o país.

12 De Março fica para a história de Portugal como o dia do protesto apartidário, laico e pacífico.

Nos meses que se seguem, os portugueses dão a vitória ao PSD de Pedro Passos Coelho que forma um governo de coligação pós eleitoral com o CDS de Paulo Portas, o país pede assistência financeira ao exterior e os movimentos desencadeiam uma série de iniciativas como foi a iniciativa legislativa de cidadãos contra a precariedade laboral.

Pela segunda vez na história da democracia portuguesa uma petição ganhou forma de projeto de lei e direito a debate no parlamento. Acabou por baixar diretamente à especialidade e por entrar em vigor em Setembro de 2013. A lei contra a precariedade reforça as competências da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) caso detete um falso recibo verde. A ACT diz que em 2015, encontrou 478 falsos prestadores de serviço e que 61% desses foram regularizados. Já este ano, detetou 192 casos e conseguiu regularizar 40% desses trabalhadores.

Cinco anos depois, João Labrincha continua a desenvolver projetos dentro da organização "Academia Cidadã", António Frazão tem hoje um contrato a termo com uma plataforma representativa de organizações de juventude, Paula Gil prefere não dizer onde trabalha, diz ser um exemplo de falso recibo verde, Alexandre Sousa Carvalho é consultor numa faculdade enquanto termina o doutoramento, já sem bolsa, Pedro Santos assinou, há dois anos o primeiro contrato de trabalho com uma associação de defesa do ambiente e Raquel Freire continua a realizar filmes. Neste momento prepara a continuação do "Dreamocracy", o documentário que acompanha a geração que se mexeu e garante continuar a mexer-se para tentar deixar de estar à rasca.

Jornalista: Catarina Neves

Repórter de Imagem: Mário Cabrita

Edição de Imagem: Marisabel Neto

Produção: Madalena Durão

Grafismo: Patrícia Reis

Coordenação: Pedro Mourinho

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