08.06.2010 20:19

"O meu nome é Portugal"

 
 

Há vidas que não se explicam. João Sabadino Portugal deve o nome às ironias do destino. Foi capturado num sábado, pela tropa portuguesa. Corria 1967, no Norte de Moçambique, a guerra colonial arrastava-se a ferro e fogo. Franzino nos seus cinco anos, passou por baixo das balas dos fuzileiros. Caladas as armas, capturaram-se os vivos. Entre eles, seguia o pequeno. Os militares acharam-lhe graça, tiraram-no da mãe e fizeram-no mascote.

Finda a comissão, os fuzileiros trouxeram-no para Lisboa. Desembarcou com a farda portuguesa, as cores nacionais ao peito, apenas sete anos. Mas a paz só trouxe guerra. A adolescência apanhou-o a viver na rua, ao abrigo de carros abandonados, pratos de sopa por misericórdia. Trabalhou nas obras, foi cozinheiro, agarrou todos os biscates. Teve Bilhete de Identidade, quando precisou da segunda via negaram-lha. Nunca mais teve documentos. Viveu sempre ilegal.



Hoje, João Sabadino Portugal é esperança. Tem dois grandes sonhos: conseguir documentos e viajar até Moçambique. O seu caminho tem um único destino: o abraço da mãe. Será que a vida tem final feliz?






Jornalista: Ana Sofia Fonseca

Repórter de imagem: Paulo Cepa

Edição de Imagem: Luís Gonçalves

Grafismo: Isabel Cruz

Produção: Sónia Ricardo

Pós-Produção Áudio: Edgar Keats




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