17.10.2010 09:15

Peixes de Portugal

 
 

No Terra Alerta desta semana, fomos conhecer uma empresa portuguesa que transporta animais marinhos vivos para oceanários em todo o mundo. Acompanhámos um projecto de conservação de peixes de água doce, e fomos para o campo com dois amigos que, nos tempos livres, se dedicam a fazer livros sobre vida selvagem.

Peixes a bordo



Em todo o mundo, são poucas as empresas dedicadas ao transporte de organismos marinhos vivos. Entre elas, está a portuguesa Flying Sharks: que significa Tubarões Voadores.



A empresa nasceu de um interesse comum pelas espécies marinhas, de 2 amigos, ambos biólogos: José Graça e João Correia. Foi em 2006 que se lançaram por conta própria e já transportaram mais de 3500 animais para oceanários de países como a Alemanha, os Estados Unidos ou o Japão.



Durante os 4 anos de vida da empresa, orgulham-se de só ter morrido um peixe durante o transporte. Serve-lhes a experiência de vários anos de trabalho no Oceanário de Lisboa, onde também fizeram alguns transportes.



Apesar de serem uma organização com fins lucrativos, garantem que este trabalho também tem objectivos de preservação da vida marinha.



"Os aquários públicos têm um papel fundamental na sociedade, hoje em dia, de educação, de explicar às pessoas os problemas terríveis que afectam o ambiente marinho, a forma como o ambiente marinho está a ser explorado de uma forma disparatada" , diz João Correia.



Em 2008, instituíram um Fundo que apoia trabalhos de investigação e doutoramento através da atribuição de bolsas de estudo ligadas ao universo marinho.



Salvar os peixes e devolver vida aos rios



Tem cinco milhões de anos, mas actualmente está em perigo de extinção. O ruivaco do Oeste é uma das 5 espécies alvo de um projecto de conservação que envolve várias entidades e procura salvar peixes de água doce em risco de desaparecerem dos rios portugueses.



Os rios Sizandro e Alcabrichel são os únicos onde ainda se pode encontrar o ruivaco do Oeste. No Safarujo, outro dos rios de origem deste peixe, nunca mais foi detectado nenhum exemplar, desde a seca de 2005. Mas não é só a seca que põe em risco estas espécies. A principal ameaça é mesmo a contaminação causada por descargas poluentes de diferentes origens.



Neste momento, estima-se que a população de ruivaco do Oeste esteja reduzida a apenas algumas centenas. Esta espécie não existe em mais nenhuma parte do mundo e pensa-se que faz parte de uma linhagem independente com 5 milhões de anos de evolução.



Para salvar o ruivaco do Oeste, assim como outras espécies de água doce como boga-portuguesa ou os escalos do Arade e do Mira, está em curso um projecto de conservação em cativeiro de organismos fluviais em risco de extinção.



É a quase duas horas de Torres Vedras, na pequena aldeia de Campelo, junto a Figueiró dos Vinhos, que se tentam salvar as espécies ameaçadas através da reprodução em cativeiro.



Reabilitar os rios de origem destes peixes, com vista ao repovoamento, é o objectivo final deste projecto. Até Novembro, poderá avançar a primeira fase de reabilitação do Alcabrichel. A equipa do projecto prevê 5 anos de trabalho para devolver ao rio a vida que teve noutros tempos.



Vida selvagem em português



Começaram há cerca de 10 anos e já escreveram juntos 9 livros sobre vida selvagem em Portugal.

Um trabalho que fazem por gosto no tempo livre de duas carreiras diferentes: de comunicação e de investigação em biologia.



Joaquim Pedro Ferreira tem 41 anos e é biólogo de formação. Sempre gostou de natureza e de fotografar, em particular, a fauna. Nas viagens fotográficas o que mais gosta é de esperar horas dentro dos abrigos, "essa emoção da espera", diz "não tem preço".



Os textos mais literários são deixados ao cuidado de Paulo Caetano, de 43 anos. Este agora assessor de comunicação, começou por fazer jornalismo na área do ambiente.



É nas férias, nos fins-de-semana e nas folgas que tem tempo para o projecto paralelo dos livros de natureza. É nessas alturas que veste o fato-folha, um acessório indispensável para se confundir na paisagem.



A dupla está numa fase de autorizações para 2 novos projectos. Enquanto não chegam, podemos apreciar e saber mais sobre a águia de Bonelli, os abutres, o lobo, a lontra, ou o lince-ibérico.



Editar livros sobre o património natural português é um trabalho que pretendem continuar a fazer em conjunto. A ideia é sempre divulgar espécies raras ou pouco conhecidas do grande público.





Mais informação:







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