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Alimentação e prevenção do cancro ao longo da vida

Teresa F. Amaral é nutricionista, investigadora e professora na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. Daniela Araújo é estagiária na FCNA. Escrevem para a Grande Reportagem SIC sobre o papel da alimentação na prevenção do cancro desde a gravidez.


O cancro é uma das principais causas de doença e de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número total de casos de cancro aumentou mais de 20% em menos de uma década, atingindo atualmente 14 milhões de indivíduos em cada ano. Só no ano de 2012 foi responsável por 8,2 milhões de mortes  

Todos os dias em Portugal são diagnosticados novos casos de cancro que poderiam ter sido evitados. A International Agency for Research on Cancer da OMS (Globocan) apresenta estimativas referentes ao ano de 2012, para o nosso país, de 49,2 milhares de novos casos de cancro e de um risco muito elevado de desenvolver um cancro antes dos 75 anos de idade, de 24,4% 

Este panorama piorará dramaticamente em todo o mundo e a OMS prevê que o número de novos casos aumente cerca de 70% nos próximos 20 anos.

O World Cancer Research Fund (WCRF) estima, para os 13 tipos de cancro mais comuns, que aproximadamente 30% dos casos nos países de alto rendimento, 25% nos países de rendimento médio e 24% nos de baixo rendimento, estão relacionados com a alimentação desadequada, com baixos níveis de atividade física, com o elevado peso corporal. Estes casos de cancro poderão ser evitados com a adoção de estilos de vida saudáveis.

Assim, pelo menos um terço de todos os casos de cancro será evitável e temos atualmente uma oportunidade única nesta geração para evitar um desastre de saúde pública . 

Segundo a OMS, a prevenção representa a estratégia para o controlo do cancro a longo prazo, que apresenta melhor relação custo/benefício. O mesmo foi reconhecido há já três anos pela cimeira das Nações Unidas sobre as doenças crónicas não transmissíveis..

Um estudo levado a cabo recentemente com o objetivo de descrever o conhecimento dos Portugueses sobre o cancro, incluindo a perceção do risco, a consciência das causas de cancro e os comportamentos preventivos, revelou que 72% dos participantes nomeou o estilo de vida como principal causa de cancro e 40,2% selecionaram o “não fumar” como sendo o comportamento preventivo mais importante. Apesar de estes dados indicarem algum conhecimento e consciencialização sobre esta problemática no nosso país, estão certamente aquém do desejável. 

Os escassos dados disponíveis sobre consumos alimentares em Portugal (Inquérito Nacional de Saúde e Estudo sobre o Consumo Alimentar no Porto) têm demonstrado também que a maioria dos indivíduos inquiridos parece não ter adotado as estratégias preventivas recomendadas internacionalmente, nomeadamente a prática de uma alimentação saudável.

Assim, é de extrema importância informar os Portugueses sobre o papel da alimentação na prevenção do cancro, relação esta que se inicia logo durante a gravidez. Quando a futura mãe tem uma alimentação em que prevalece o consumo de carnes vermelhas, especialmente quando cozinhadas a altas temperaturas, de carnes processadas e de alimentos fritos, o feto poderá ser exposto a compostos carcinogéneos, o que poderá aumentar a suscetibilidade da criança para o cancro. Pelo contrário, se a alimentação da mãe for baseada no consumo de frutos e hortícolas, ricos em antioxidantes, o feto será exposto a fatores protetores o que reduzirá o risco de desenvolvimento de cancro .

A gordura corporal é também de extrema importância no desenvolvimento de cancro. Um consumo energético elevado provoca um aumento da gordura corporal, o que eleva os níveis de numerosas hormonas como a leptina, insulina e fatores de crescimento, que promovem a multiplicação das células cancerígenas. 

Por outro lado, a alimentação é o principal veículo de consumo de alguns compostos químicos, nomeadamente as micotoxinas e os pesticidas, denominados disruptores endócrinos pois interferem com o sistema endócrino, levando também ao desenvolvimento de cancro. 

Fica assim demonstrado que a alimentação tem grande influência nesta problemática. Deste modo, o WCRF apresenta dez recomendações para a prevenção do cancro que estão relacionadas com a alimentação e com o estilo de vida:

1.        Gordura corporal – deve ser-se o mais magro possível, sem se atingir o baixo peso.

2.        Atividade física – deve ser-se fisicamente ativo como parte da vida quotidiana.

3.        Alimentos e bebidas que promovam o ganho de peso – o consumo de alimentos com alta densidade energética deve ser limitado e as bebidas açucaradas evitadas.

4.        Alimentos de origem vegetal – devem ser estes os alimentos preferencialmente consumidos.

5.        Alimentos de origem animal – a ingestão de carnes vermelhas deve ser limitada e as carnes processadas devem ser evitadas.

6.        Bebidas alcoólicas – o seu consumo deve ser limitado.

7.        Preservação, processamento e preparação – o consumo de sal deve ser limitado; evitar cereais e leguminosas que possam conter algum vestígio de bolores.

8.        Suplementos dietéticos – deve preferir-se atingir as necessidades nutricionais através da dieta e não de suplementos.

9.        Amamentação – as mães devem amamentar; as crianças devem ser amamentadas.

10.        Sobreviventes de cancro – devem seguir estas recomendações para a prevenção do cancro.

Em sintonia com o Plano Nacional para a Alimentação Saudável e com as recomendações atuais do WCRF, baseadas em evidência científica, será muito importante implementar estas estratégias de prevenção primária no nosso país. Desta forma poderemos evitar a ocorrência de um grande número de novos casos de cancro em Portugal, cerca de 16 mil por ano.

A implementação de estratégias de prevenção primária do cancro possibilitará também a redução da exposição a conhecidos fatores de risco para as patologias mais prevalentes no nosso país, nomeadamente a obesidade e as doenças cardiovasculares, com a tradução em ganhos inequívocos na saúde dos Portugueses. 

Também é importante referir que estas estratégias contribuirão, de forma poderosa e a baixo custo, para atingir uma economia sustentável.


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