27.06.2011 17:30

Moçambique tem os mais altos níveis de desnutrição crónica infantil no Mundo, indica UNICEF

 
 
 

Moçambique tem os mais altos níveis de desnutrição crónica infantil no mundo e deve redobrar os esforços para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio na área da mortalidade infantil, indica um relatório da UNICEF divulgado hoje em Maputo.

O relatório de 2010 sobre "Pobreza Infantil e Disparidades em Moçambique"  refere que 44 por cento das crianças moçambicanas sofrem de desnutrição  crónica e a média mais alta regista-se na província de Cabo Delgado, com  59 por cento dos menores a enfrentar esse problema. 

A situação da criança em Moçambique é também grave ao nível da mortalidade  infantil, pois 141 crianças entre mil morrem antes de completar cinco anos.  Dessas mortes, 33 por cento são provocadas por malária, aponta a UNICEF.

"Houve grandes progressos depois da guerra civil, mas prevalecem dois  grandes problemas essenciais: o ritmo da redução da mortalidade infantil  não está a ser suficientemente rápido e o segundo tem a ver com as disparidades  regionais neste indicador", disse o representante adjunto da UNICEF em Moçambique,  Roberto de Bernardi, comentando o estudo. 

Em todo o país, indica o relatório, 48 por cento das crianças passam  por pelo menos duas ou mais privações severas, 11 por cento das raparigas  com idades entre 11 e 15 anos estão infetadas pelo HIV/SIDA e 70 por cento  dos alunos conhecem casos de abuso sexual nas suas escolas. 

A UNICEF constatou na sua pesquisa que 52 por cento de raparigas com  menos de 18 anos estão casadas e 22 por cento de crianças entre 5 e 14 anos  trabalham. 

Ao comentar os dados do relatório, a coordenadora-residente da agência  das Nações Unidas em Moçambique, Lola Castro, afirmou que a pesquisa demonstra  "a necessidade e urgência de o país investir nas crianças, porque serão  os adultos" de amanhã. 

"A desnutrição crónica tem consequências imediatas na criança e no futuro,  quando a criança for adulto. Atrasa a vítima sob o ponto de vista físico,  mas também de desenvolvimento mental e intelectual e o seu potencial produtivo",  enfatizou Lola Casto, que é igualmente representante do Programa Mundial  da Alimentação (PMA). 

Lusa

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