09.02.2012 20:17

Feira do sexo está "mais didática" e quer ser terapia face à crise  

 
 

A quinta edição do Eros Porto abriu hoje as  portas do pavilhão multiusos de Gondomar a um público que, ainda escasso  ao longo da tarde, deu de caras com uma edição mais educativa perante o  sexo. 

Em termos de conteúdos, o festival erótico "até tem crescido", disse  à Lusa Júlio Simón, da organização, sobretudo porque acabou por ser "o único  evento deste género em Portugal este ano", pelo que "todas as energias que  há entre o Porto, Lisboa e Portimão concentraram-se em 2012 em Gondomar".

Mas esta edição prima sobretudo pelo seu cariz "didático" que proporciona  verdadeiras aulas práticas de educação sexual no 'stand' da Escola de Sexo,  uma empresa espanhola que demonstra vários "truques", segundo Júlio Simón,  para uma maior "contenção e controlo durante o sexo", assim como para "coincidir  com o parceiro ou parceira, ou simplesmente ter um prazer maior." 

"Queremos que se veja esta coisa e não só que a expliquem", prosseguiu  o organizador, para concluir que "uma imagem vale mesmo mais que mil palavras",  pelo que "o público poderá sair do evento a saber mais uma ou duas coisas  sobre a sua sexualidade que desconhecia ao entrar". 

"O que fazemos é ensinar um pouco como se roda um filme, mas também  posturas sexuais, sexo oral, um pouco de tudo e para toda a gente", explicou  Raquel Abril, representante da "Escola de Sexo", para quem "o erotismo ajuda  pelo menos a viver a crise de outra maneira, com mais tranquilidade - o  sexo sempre relaxa". 

Apesar de admitir que a indústria do sexo teve também que se adaptar  aos tempos, Esmeralda Rose, prestes a regressar a mais uma sessão de 'strip-tease',  garante à Lusa que sobrevive "bastante bem". 

A atriz e bailarina exótica espanhola tem que afastar-se um ou dois  passos para que o seu peito não atinja o microfone durante a entrevista,  mas consegue explicar à Lusa que "desde que deixaram de fazer vídeos para  DVD como faziam, agora que toda a gente tem internet, as 'webcams' acabaram  por se transformar num recurso muito importante para as atrizes pornográficas".

"As pessoas podem interagir connosco, pedir que façamos coisas, tudo  sem sair de casa, incluindo nós", concluiu, para voltar a contorcer-se no  varão. "Comecei nesta indústria há cerca de ano e meio e desde então nunca  mais parei, entre festivais, espetáculos, tem sido tudo perfeito, na verdade",  conta à Lusa Carolina Abril, enquanto ajeita a pequena 'lingerie' em que  passeia pelo recinto. "Devo ter uma estrela que me segue, porque não me tocou em nada a crise,  menos mal", conclui.  

Também para a porta-voz do evento, Erica Fontes, "o sexo não tem crise",  até porque o seu objetivo será fazer "com que as pessoas a esqueçam", algo  que Júlio Simón corrobora ao considerar que "o papel da indústria do sexo  e do erotismo é fundamental em tempos de crise, não porque vá solucionar  algo, porque não vai, mas para o bem-estar psicológico das pessoas". 

Esmeralda Rose, ainda a debater-se com o tamanho do próprio peito, confirma:  "o sexo nunca está em crise. E nunca deveria estar. É certo que a falta  de recursos económicos fazem com que as pessoas consumam menos, mas o sexo  vai vender sempre." 

O Eros Porto prossegue até dia 12 de fevereiro com mais de 700 espetáculos  previstos, divididos por dez palcos.

 

     

Lusa

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