09.02.2012 19:49

Metade da população portuguesa sofre de doença crónica

 
 

Metade da população portuguesa sofre de doença crónica, verificando-se um crescimento de 2,5 por cento ao ano no grupo dos idosos, tendo o fenómeno um impacto total de 60 a 80 por cento nas despesas em saúde.

Os dados constam do último inquérito nacional de saúde e foram destacados  por Anabela Pereira, presidente da comissão organizadora do Congresso Nacional  de Psicologia da Saúde, na sessão de abertura desta iniciativa que reúne  em Aveiro, durante três dias, 700 participantes nacionais e estrangeiros.

Segundo Anabela Pereira, os estudos revelam que 5,2 milhões de portugueses  sofre, pelo menos, de uma doença crónica, enquanto 2,6 milhões sofrem de  duas ou mais, e cerca de 3 por cento da população sofre de cinco ou mais  doenças crónicas. 

Aquela oradora destacou ainda que "as doenças crónicas já não se encontram  confinadas aos mais idosos, sofrendo implicações diretas nos resultados  gerados por análises microeconómicas e macroeconómicas de funcionamento  do sistema de saúde".  

Por sua vez o bastonário da Ordem dos Psicólogos, Telmo Batista, salientou  que a Ordem tem vindo a desenvolver estudos técnicos que demonstram a importância  do contributo da psicologia para a melhoria da saúde dos cidadãos e sustentabilidade  do serviço nacional de saúde. 

Deu como exemplo o relatório sobre custo-efetividade de intervenções  psicológicas, recentemente divulgado pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade  Portuguesa para o estudo da obesidade. 

Telmo Baptista defendeu ainda a importância da autorregulação das profissões  e mostrou-se confiante na negociação que está a ser concretizada com o Ministério  da Saúde para aumentar o número de psicólogos na rede de cuidados de saúde  primários, que considerou manifestamente insuficientes. 

Em representação do ministro da Saúde, José Tereso sublinhou a necessidade  de integrar os psicólogos na rede de cuidados de saúde primários, contribuindo  para a redução de custos do sistema.  

Como médico de saúde pública, disse não deixar de constituir uma desilusão  o facto de se observar "o aumento crescente das taxas de alcoolismo, de  obesidade ou doenças oncológicas, apesar das campanhas e dos planos que  têm vindo a ser promovidos". 

José Tereso defendeu que isso "reforça, ainda mais, a necessidade de  integrar os psicólogos na rede, melhorando a eficiência dos cuidados e garantindo  a sustentabilidade do sistema". 

Lusa

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