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Reportagem: Presidenciais: Marinha Grande, a cidade "decisiva" nas eleições de 1986 que Mário Soares ganhou (C/Vídeo)

Silvia Reis

Marinha Grande, Leiria, 10 jan (Lusa) -- A cidade da Marinha Grande, que primeiro o vidro e depois os moldes projetaram do ponto de vista económico, foi considerada "decisiva" na campanha eleitoral das presidenciais de 1986, ganha pelo socialista Mário Soares.

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Marinha Grande, Leiria, 10 jan (Lusa) -- A cidade da Marinha Grande, que primeiro o vidro e depois os moldes projetaram do ponto de vista económico, foi considerada "decisiva" na campanha eleitoral das presidenciais de 1986, ganha pelo socialista Mário Soares.

A 14 de janeiro desse ano, numa deslocação à Marinha Grande, então bastião do PCP, no âmbito da segunda volta que disputava com Freitas do Amaral, apoiado pelo PSD e CDS-PP, Mário Soares foi agredido.

A agressão, cujas imagens percorreram o país, acabou por dar um novo impulso à campanha do socialista, que foi eleito Presidente da República com o dobro dos votos conquistados à primeira volta.

Vinte cinco anos depois, o presidente do conselho de administração da Inteplástico, empresa de componentes para a indústria automóvel que hoje o candidato presidencial Cavaco Silva visitou no âmbito de um périplo pelo distrito, lembrou o episódio.

"Rapidamente me apercebi que teria sido uma circunstância casual, porque a Manuel Pereira Roldão atravessava na altura um período muito negro, com salários em atraso, e os trabalhadores, manipulados ou não, mas com um fundo de razão, fizeram uma manifestação, um pouco até violenta, que o doutor Mário Soares, inteligentemente, aproveitou para ganhar eleições", contou à agência Lusa Jorge Martins.

O empresário acrescentou que Mário Soares, que partira de Lisboa com "oito por cento" das intenções de voto, saiu da Marinha Grande vítima de agressão, "mas o suficiente para que as sondagens o pusessem rapidamente como candidato com mais probabilidade de ganhar".

Considerando este episódio como "decisivo" na campanha presidencial de 1986, Jorge Martins, que se assume como simpatizante do PS e durante cerca de 20 anos integrou a Assembleia Municipal da Marinha Grande, tendo sido, várias vezes, convidado para ser cabeça de lista do partido à câmara, mostrou-se convicto que atos como aquele não vão ocorrer.

"Entretanto amadurecemos, penso que temos conceitos muito sólidos sobre a vida democrática e sobre o direito que as pessoas têm a votar em liberdade", declarou, classificando uma eventual reeleição do atual Presidente da República como "desejável".

Aliás, no final da visita à Inteplástico, inaugurada em 1993 por Mira Amaral, ministro de Cavaco Silva, quando o candidato presidencial, apoiado pelo PSD, CDS-PP e MEP, lhe desejou sucesso, Jorge Martins retribuiu-lhe o mesmo dizendo "espero também que o senhor faça um mandato pelo menos tão bom como o que acabou ".

À Lusa, justificou: "A situação do país terá sido causada e originada, predominantemente, pelos políticos e já há longos anos, não é só destes últimos governos, mas penso que chegou a altura dos portugueses se consciencializarem e enfrentarem o problema não como um problema do Governo, mas como um problema nacional".

"A participação, nestas circunstâncias, do professor Cavaco Silva, é, sem dúvida, muito mais positiva do que o poeta Manuel Alegre ou outros", declarou, afiançando que "vai ganhar à primeira volta" e, por isso, 23 de janeiro é o dia "decisivo".





SYR.





*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***





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