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Transportes: Reabertura de ramal ferroviário entre Pampilhosa e Figueira da Foz defendido em debate público (C/ VÍDEO)

José Luis Sousa

Mealhada, 26 mai (Lusa) -- Os promotores de um debate sobre o ramal ferroviário Pampilhosa (Mealhada) - Figueira da Foz, encerrado há mais de dois anos, pretendem que a linha seja requalificada e reaberta, em prol das populações e da economia regional.

*** Serviço vídeo disponível em www.lusa.pt ***





Mealhada, 26 mai (Lusa) -- Os promotores de um debate sobre o ramal ferroviário Pampilhosa (Mealhada) - Figueira da Foz, encerrado há mais de dois anos, pretendem que a linha seja requalificada e reaberta, em prol das populações e da economia regional.

O debate, agendado para a noite de sexta-feira, na Pampilhosa, está a ser preparado por um grupo de trabalho criado no seio da Assembleia Municipal da Mealhada.

"O objetivo principal é voltar a haver comboios entre a Pampilhosa e a Figueira da Foz, para dar melhor comodidade às populações e para que o desenvolvimento económico possa continuar", disse à agência Lusa Guilherme Duarte, presidente do grupo de trabalho.

Lembrou que na Pampilhosa decorre o projeto da plataforma logística rodoferroviária, argumentando que esta infraestrutura "só fará sentido" se aquela via ferroviária "estiver em boas condições de funcionamento", permitindo a ligação ao porto comercial da Figueira da Foz.

Guilherme Duarte lembrou os investimentos já realizados, em 2007, no troço de cerca de 50 quilómetros, que liga o concelho da Mealhada ao da Figueira da Foz, passando por Cantanhede e Montemor-o-Velho, com supressão de passagens de níveis, intervenção no túnel das Alhadas e junto a um parque industrial perto da Pampilhosa.

A linha acabou por ser encerrada, em janeiro de 2009, por questões relacionadas com a segurança da circulação de comboios - devido à antiguidade dos carris na maioria do percurso -- e a reabertura após obras de requalificação ficou agendada para este ano, mas os trabalhos foram suspensos e assim continuam.

Junto à estação da Pampilhosa - que serve as linhas do Norte e da Beira Alta, da qual a ligação à Figueira da Foz fazia parte - a reportagem da Lusa encontrou Licínio Domingues, residente na localidade e defensor da ligação ferroviária, "até para pessoas de mais idade e com alguma falta de mobilidade".

Deu o exemplo da época balnear, prejudicada pela supressão da circulação de comboios, uma vez que a mesma impede o "acesso direto" à praia.

"Mas nós não mandamos, a situação do país está como se sabe e as pessoas tomam as decisões que muito bem entendem esquecendo-se da utilidade [que o ramal] pode ter para os outros", criticou.

Já Faustino Agante disse que a linha "faz muita falta", mas que os políticos "não querem" a sua reabertura.

Apontou, a exemplo dos promotores do debate sobre o ramal, a ligação à plataforma logística da Pampilhosa e ao porto da Figueira da Foz e os investimentos já realizados.

"O despacho de mercadorias seria muito mais rápido para a Europa e resto do país. Aliás, gastaram uma pipa de massa no rebaixamento do túnel das Alhadas e na estação de Cantanhede para nada", afirmou.

O debate público vai reunir representantes dos grupos parlamentares e da Comunidade Intermunicipal do Baixo Mondego, presidentes de câmara e das juntas de freguesia servidas pelo ramal ferroviário e associações sindicais, entre outras entidades, e conta ainda com a participação de Manuel Tão, especialista em questões ferroviárias da Universidade de Algarve.





JLS.





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