Lusa

Música: Documentário sobre Fernando Maurício estreia quinta-feira na Festa do Fado

Nuno Lopes

Lisboa, 30 mai (Lusa) -- O realizador Diogo Varela Silva decidiu contar em imagens, recorrendo a arquivos audiovisuais e vários testemunhos, a história de Fernando Maurício, falecido em 2003, que ficou na tradição como "o rei do fado".

Lisboa, 30 mai (Lusa) -- O realizador Diogo Varela Silva decidiu contar em imagens, recorrendo a arquivos audiovisuais e vários testemunhos, a história de Fernando Maurício, falecido em 2003, que ficou na tradição como "o rei do fado".

O documentário intitulado "O Rei sem Coroa" é coproduzido pela EGEAC (Empresa municipal de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural de Lisboa) e pela RTP2 e estreia na próxima quinta-feira, pelas 21:30, no Cinema S. Jorge, marcando a abertura da Festa do Fado, no âmbito das Festas de Lisboa.

Fernando Maurício "é indiscutivelmente uma das maiores referências do fado, mas não é tão falado" e esta foi, segundo Diogo Varela Silva, uma das razões que o levou a escolher o intérprete de "Igreja de Santo Estevão".

"Este certo esquecimento foi também uma escolha do próprio Maurício, que sempre preferiu cantar nos seus sítios, nos bairros, e nunca foi muito dado a uma carreira comercial", disse à Lusa Varela Silva.

O documentário "O Rei Sem Coroa" começou a ser preparado há um ano, precisamente quando Diogo Varela Silva se estreou nas lides do documentário com "Fado Celeste", sobre a carreira da sua avó, a fadista Celeste Rodrigues.

Referindo-se ao documentário sobre o fadista nascido na Rua do Capelão, na Mouraria, em Lisboa, em 1933, Varela Silva afirmou que "uma das dificuldades foi encontrar material de arquivo, que é quase nulo".

Todavia, o realizador encontrou algumas entrevistas radiofónicas do fadista que utiliza no filme, havendo "a voz de Maurício a falar sobre a sua própria vida, mas também muitos que com ele conviveram e o conheceram, nomeadamente familiares (mulher, filha e irmão), fadistas, nomeadamente os apelidados de 'mauricianos', pessoas da sua Mouraria e o musicólogo Rui Vieira Nery".

Os fadistas Ricardo Ribeiro, Camané, Raquel Tavares, o compositor e intérprete Jorge Fernando e o poeta Mário Raínho são alguns dos participantes no documentário.

Diogo Varela Silva tem outros projetos cinematográficos relacionados com o fado. Fernanda Maria, 74 anos, Prémio Amália Rodrigues Carreira, poderá ser a próxima cantora sobre a qual realizará um documentário.

"Esta é a minha maneira de cantar e perpetuar alguns nomes da canção de Lisboa que não tem sido tratada como todos gostaríamos", argumentou.

"Filmar é a maneira que tenho de ir fazendo o meu fado. Também é fadista quem ouve. Já que não tenho capacidades vocais e nem sei tocar um instrumento, filmo", disse o neto de Celeste Rodrigues e do ator Varela Silva, e sobrinho de Amália.

Diogo Varela Silva aguarda também apoio do Instituto do Cinema e do Audiovisual para filmar a longa-metragem "Este é o meu Fado!".

"Trata-se de uma musical composto apenas de fados tradicionais, terá direção musical de Jorge Fernando, argumento de Luís Marques da Cruz e o elenco inclui Celeste Rodrigues, que tem uma profundidade na voz e emoção que não é fácil apanhar a essa gente mais nova, e ainda Raquel Tavares, Ana Sofia Varela, Filipa Cardoso, Beatriz da Conceição, Ricardo Mesquita, Fábia Rebordão, José Manuel Barreto e Jorge Roque", adiantou à Lusa.





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