Cultura

Escritor indiano Khushwant Singh morre aos 99 anos

O escritor e jornalista Khushwant Singh, autor do romance "Comboio para o Paquistão" sobre a partição do subcontinente indiano, morreu hoje em Nova Deli aos 99 anos devido a problemas respiratórios, informou a família.

(Reuters/Arquivo)

(Reuters/Arquivo)

© Reuters Photographer / Reuter

Conhecido pelo seu humor ácido e pelas suas posições políticas liberais, Singh morreu na sua casa na capital indiana de modo "muito, muito tranquilo", disse o seu filho Rahul Singh à televisão local NDTV. 

Nascido a 02 de fevereiro de 1915 em Hadali, hoje em território paquistanês, Singh foi forçado a migrar para a Índia após a divisão do subcontinente em 1947 por ser de religião sikh, embora tenha sido ateu e mantido posições seculares durante toda a sua vida.  

Autor dos mais prolíficos do país, escreveu mais de 100 livros, alguns dos quais escandalizaram a Índia devido às suas descrições de sexo explícito. Entre as incontáveis colunas de jornal de que foi responsável, inclui-se a intitulada "Com malícia para todos". 

Em Portugal estão editados pela Cavalo de Ferro os romances "Comboio para o Paquistão" e "Deli" e o livro de contos "Uma Esposa para o Sahib". "I Shall Not Hear the Nightingale", "Burial at Sea", "The Company of  Women" e "Truth, Love and a Little Malice" são outros dos seus livros mais  conhecidos. 

O jornalista, que escrevia em inglês, dirigiu várias revistas nas décadas de 1970 e 1980, depois de ter exercido advocacia e de ter passado pelo serviço diplomático. 

Em 1974, foi condecorado pelo Governo indiano com a medalha Padma Bhushan, que devolveu em 1984 em protesto contra o ataque do exército ao Templo Dourado, o mais importante lugar de culto dos sikhs.  "Gostava de chamar as coisas pelos seus nomes. Detestava a hipocrisia e o fundamentalismo", recordou hoje o seu filho. 

Singh deixou escrito o seu epitáfio: "Aqui repousa quem não poupou os homens nem Deus / Não desperdicem as vossas lágrimas, ele era um patife / Escrevendo coisas indecentes que via como divertidas / Graças a Deus está morto este filho da mãe". 

O corpo do escritor é cremado hoje ao final da tarde em Nova Deli.

Com Lusa

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