Cultura

Dia Mandela celebrado em Portugal com estreia de documentário sobre apartheid

O Dia Mandela, celebrado mundialmente na sexta-feira, serve de pretexto para a estreia, em Portugal, de um documentário que retrata o apartheid, regime segregacionista da África do Sul, através da história de um empresário francês.

© Thomas Mukoya / Reuters

Realizado pelo espanhol Carlos Agulló, "Plot for peace, the end of apartheid,  an untold story" (conspiração para a paz, o fim do apartheid, uma história  por contar) relata a história de Jean-Yves Olliver, conhecido como "Monsieur  Jacques", cuja atuação "foi instrumental para uma paz regional e o fim da  discriminação racial na África do Sul", resume a apresentação do filme (http://www.plotforpeace.com).

A fundação sul-africana The African Oral History Archive tinha como  objetivo "chegar a um público internacional e jovem" e, por isso, procurou  alguém que não tivesse "um vínculo emocional com a África do Sul", explica  à Lusa Carlos Agulló, reconhecendo que "é pouco comum" que um realizador  espanhol esteja à frente de um projeto deste tipo.  

Carlos Agulló foi sugerido por outro realizador, o espanhol-chileno  Alejandro Amenábar, com quem já trabalhou. "Queriam alguém de fora, porque  os realizadores sul-africanos que abordaram o tema sempre tiveram uma perspetiva  parecida", refere. 

O realizador confessa que teve "um pouco de medo" quando o convidaram,  porque nunca tinha feito documentários, apenas ficção, e não sabia "nada  da história e da política sul-africanas", para as quais contou com a assessoria  do jornalista Stephen Smith, que conhece bem o país e a região. 

"A ideia original era contar como os países vizinhos da África do Sul  contribuíram para o fim do apartheid com um processo de paz regional", recordou.

Porém, depois surgiu "a oportunidade de falar" com o francês Jean-Yves  Olliver e Carlos Agulló achou que "a sua aventura pessoal era um prisma  muito interessante" para contar a história "à moda do thriller político".

O realizador conhecia apenas "o básico sobre Mandela" e "o milagre"  que representa "uma pessoa que esteve 27 anos preso e, quando saiu, perdoou  aos seus carcereiros, integrando-os no novo Governo", mas, quando visitou  a África do Sul, percebeu que esse foi "um milagre de todo um país, que  decidiu seguir esse líder". 

Para o documentário, Carlos Agulló conheceu presidentes, ministros,  diretores de serviços secretos, embaixadores. "Foram dois anos de aprendizagem",  resume.  

"O desafio de fazer um documentário e contá-lo como se fosse um filme  de ficção foi alucinante", reconhece. "Há várias produtoras de diferentes  países que querem que dirija um filme de ficção baseado na mesma história,  mas é um projeto muto caro e ambicioso, vai levar tempo a arranjar financiamento",  adianta. 

Rodado em Cuba, Estados Unidos, Marrocos, Espanha, Moçambique, Angola  e Portugal, para além de África do Sul, "Plot for peace" já foi exibido  numa trintena de festivais internacionais, tendo sido premiado no Brasil,  Estados Unidos, Irlanda e França.  

Em Portugal, estreia-se na sexta-feira, às 20:00, na presença do realizador,  no quadro da programação do Dia Mandela, que decorre no Largo do Intendente,  em Lisboa. 

Idealizado por Carlos Barretto e produzido por LARGO Residências e AfrikPlay 5/8Filmes  à Conversa, em colaboração com a Embaixada da África do Sul em Lisboa, o  programa que assinalará o Dia Mandela inclui ainda uma instalação de tampas  plásticas para recriar a imagem de Nelson Mandela, que está a ser construída  por habitantes do bairro do Intendente, um concerto conjunto de Carlos Barretto,  In Loko Band, Selma Uamusse, General D e Melo D e uma exposição sobre a  África do Sul. 

O diretor da Fundação Naleson Mandela, Sello Hatang, estará de visita  a Portugal na sexta-feira, para acompanhar a celebração do dia que homenageia  o líder histórico da África do Sul. 

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