Cultura

Micaela Cardoso sobe ao palco para monólogo "Zerlina"

A atriz Micaela Cardoso vai subir ao palco do Mosteiro de São Bento da Vitória, no Porto, entre 12 e 22 deste mês, com "Zerlina", a partir do texto de Hermann Broch, que configura o seu primeiro monólogo.

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Em declarações aos jornalistas depois de um breve ensaio para a imprensa, Micaela Cardoso mostrou-se hoje satisfeita por estar "bem acompanhada" (por José Roseira na encenação e Francisco Luís Parreira na dramaturgia, entre outros) porque "é muita solidão".

"É um risco. Uma pessoa procura o risco, somos loucos", declarou Micaela Cardoso, questionada sobre o porquê de se sujeitar a essa solidão, numa peça em que a criada Zerlina conta a história de um triângulo amoroso do qual é parte, a partir do ponto de vista de uma personagem "sumamente sexual e duramente feminina, que usa a sua condição como arma, dominando a intimidade da família que serve".

Micaela Cardoso, que surge num palco com poucos elementos, sentada numa de duas cadeiras, explicou que escolheu a peça por incentivo de Francisco Luís Parreira, uma e duas vezes: "Li aquilo de uma assentada, também não é muito difícil, e fiquei entusiasmadíssima".

A história é retirada de um capítulo de "Os Inocentes", de 1950, do austríaco Hermann Broch e, segundo José Roseira, "convida a essa transformação" em monólogo.

A atriz, encenadora e produtora do espetáculo sublinhou como relevantes "todas as camadas de que é feita esta mulher, o detalhe com que ela trata o erotismo, a inadaptação dela à sua situação social".

"Um relato atravessado pelo ressentimento sexual e classista, por um erotismo possessivo e primitivo e por uma obsessão ética, no qual a personagem de Broch vai desdobrando o seu estatuto: criada, amante, precetora, espia, instigadora de loucura, ciúme e vingança", explicou o Teatro Nacional São João, na documentação sobre a peça.

Lusa