Cultura

Shelley, a máquina "inteligente" que escreve histórias de terror

Shelley escreve histórias de terror de arrepiar e publica-as no Twitter. Mas do que gosta mais é de trabalhar em colaboração com os outros utilizadores - os seres humanos cujas mentes encerram as ideias mais macabras e assustadoras.

Shelley - nome inspirado no da autora de Frankenstein, a britânica Mary Shelley - é um sistema de inteligência artificial criado por cientistas do MIT. Foi "treinada" com 140 mil histórias fantásticas e de terror escritas por milhares de escritores amadores anónimos na internet.

A cada hora certa, Shelley inicia uma das suas histórias com uma frase no Twitter. Convida então aos utilizadores a escrever a parte seguinte com a palavra-chave #yourturn - a tua vez. Shelley responde e é gerado um conto de terror a partir de uma estreita colaboração entre homem e máquina.

Uma "máquina de pesadelos"

"Está a criar histórias verdadeiramente interessantes e estranhas, que nunca existiram no género de terror", afirma uma das suas criadoras, Pinar Yanardag, investigadora do MIT Media Lab. Por exemplo, um dos contos tem como protagonista um homem grávido que acorda no hospital, contou à agência AP.

Os resultados da colaboração homem-máquina são estranhos, divertidos ou imprevisíveis, como este início de história:

"A boneca aproximou-se de mim com uma seringa. O sangue jorrou da sua boca e começou a despir-se. Foi então que começou a dançar".

Apetite insaciável por dados

As frases que Shelley escreve são "inspiradas" nas milhares de palavras, frases e histórias que escritores amadores publicaram num fórum próprio no Reddit.

Estas máquinas que aprendem através de algoritmos são "alimentadas" por um gigantesco número de dados. Estes escritores amadores produziram cerca de 700 megabytes de dados na última décadas. Os inventores não utilizaram os clássicos do género de terror tanto por razões de direitos de autor, mas também porque não geravam os dados suficientes.

"Se juntarmos toda a obra de Lovecraft ou Stephen King ou Edgar Allan Poe teremos uns poucos megabytes", explicou Manuel Cebrian.

Ultrapassar o "bloqueio de escritor"

Os investigadores do MIT não esperam com esta experiência editar uma "antologia de terror colaborativa entre homem-máquina". Poderá ser um sistema operativo para ajudar o escritor humano.

"Às vezes há bloqueios [de criatividade]", lembra Cebrian. "Esta tecnologia ajuda a escrever o próximo parágrafo e ultrapassar o chamado bloqueio de escritor".

Em época de Halloween, é a altura perfeita para escrever histórias assustadoras.

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