Cultura

A série mais cara de sempre da Netflix paga menos à rainha de Inglaterra do que ao duque

Simon Dawson

Nem a "rainha de Inglaterra" parece escapar às desigualdades salariais. A discriminação foi assumida esta terça-feira pelos produtores executivos da série da Netflix, numa conferência da INTV em Jerusalém. Considerada a mais cara série de sempre da Netflix “The Crown" custará sete milhões de dólares por episódio e a estrela, a atriz galardoada, Claire Foy, terá levado para casa cerca de 40 mil por episódio. Menos que o "marido", o ator britânico Matt Smith, nas primeiras duas temporadas.

A série "The Crown" retrata os drama e rivalidades políticas e românticas do reinado da rainha Elizabeth II, a par dos eventos que moldaram a segunda metade do Século XX.

O ator Matt Smith receberá mais que a "Rainha de Inglaterra" na série "The Crown"

O ator Matt Smith receberá mais que a "Rainha de Inglaterra" na série "The Crown"

Grant Pollard

A atriz Claire Foy venceu um Globo de Ouro e foi nomeada para um segundo, pelo papel na série da Neflix

A atriz Claire Foy venceu um Globo de Ouro e foi nomeada para um segundo, pelo papel na série da Neflix

Jordan Strauss

O ator britânico Matt Smith chegou à Netflix e à série como um ator de renome, conceituado na Grã-Bretanha pela série da BBC "Doctor Who", de 2010 a 2013.

Já Claire Foy, a atriz principal era relativamente desconhecida quando foi escolhida para a protagista da série da Netflix e, por isso, começou por ganhar menos que o ator que faz de marido, o Duque de Edimburgo, Matt Smith.

Para além do papel na mini-série da BBC vencedora de um Globo de Ouro "Wolf Hall", em 2015, Claire Foy, de 33 anos, era uma relativa desconhecida quando foi lançada em "The Crown".

Segundo os produtores executivos do "The Crown", foram as duas primeiras temporadas da série que trouxeram Claire Foy para a ribalta, pelo que o ordenado foi negociado antes do Globo de Ouro de melhor atriz na 1ª temporada e da nomeação para um outro Globo de Ouro na mesma categoria para a Temporada 2.

Claire Foy foi ainda nomeada para um Emmy, como atriz principal em drama para a Temporada 1.

Nos últimos Globos a atriz Claire Foy usou o crachá "50:50 Equal Representation Actresses" que é o nome de uma ONG que defende uma maior divisão de papéis entre homens e mulheres na indústria cinematográfica

Nos últimos Globos a atriz Claire Foy usou o crachá "50:50 Equal Representation Actresses" que é o nome de uma ONG que defende uma maior divisão de papéis entre homens e mulheres na indústria cinematográfica

Jordan Strauss

O ator Matt Smith, de 35 anos, nunca chegou a ser nomeado para um Emmy ou um Globo de Ouro pela papel como Príncipe Philip, duque de Edimburgo.

A Netflix recusou-se a comentar esta disparidade, assim como os agentes dos dois atores britânicos mas os produtores afirmaram que, nas próximas série a questão seria corrigida.

"Para começar, ninguém ganha mais do que a rainha", afirmou Suzanne Mackie, adiretora criativa da Left Bank Pictures, que produziu "The Crown".

A questão ganhou força este ano depois de ser divulgado que a atriz Michelle Williams ganhou menos que Mark Wahlberg, o ator que veio substituir Kevin Spacie no novo filme de Ridley Scott, 'All the Money in the World', na sequência do escândalo sexual de abusos sexuais no cinema e, em especial Hollywood, que motivou o movimento "Time's up!".

O caso ganhou tanto relevo que levou o ator Mark Wahlberg a anunciar que iria doar dois milhões de dólares, em nome da colega Michelle Williams, para um fundo dedicado a combater a desigualdade salarial e o assédio a mulheres em Hollywood.

A série mais cara de sempre da Netflix já está na 3ª temporada que salta da década de 1940 e dos anos 50 para os anos 60 e 70

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Robert Viglasky/Netflix

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