Desporto

Jogador do Canelas confessa agressão a árbitro

Um ex-futebolista do Canelas 2010 confessou hoje ao tribunal de Gondomar ter agredido um árbitro em 2017 e disse-se "arrependido", mas nada esclareceu sobre alegadas ameaças à vítima e família, em momento posterior, no acesso aos balneários.

"Fiz o que não devia ter feito", disse o arguido, Marco Gonçalves, referindo-se à agressão ao árbitro José Rodrigues com uma joelhada no nariz, após ter sido expulso no decorrer de um jogo entre o Rio Tinto e o Canelas 2010, da fase de subida do Campeonato Distrital do Porto, em 02 de abril de 2017.

"Não consigo explicar (o que fiz), nada explica uma agressão", acrescentou o arguido ao depor hoje no início do julgamento.

Além da agressão, o processo alude a expressões intimidatórias da integridade física do árbitro e suscetíveis de coartar a sua liberdade, já no túnel de acesso aos balneários, mas o arguido disse não se recordar dessa parte da acusação.

"A partir daí (do momento da agressão) bloqueei completamente", declarou.

Algumas testemunhas oculares também chamadas hoje ao tribunal de Gondomar disseram não ter ouvido quaisquer ameaças ao árbitro no túnel de acesso aos balneários e outras garantiram o contrário.

Um dos que nada ouviu e nada reportou no seu auto de notícia foi o chefe de polícia presente no local que, no entanto, citou outros agentes da PSP igualmente destacados para o jogo de Rio Tinto.

Face a esse depoimento, o tribunal decidiu chamar os agentes a depor na próxima sessão do julgamento, marcada para 07 de novembro.

Neste processo, o arguido está acusado de um crime de ofensa à integridade física qualificada e de outro de ameaça agravada.

Diz a acusação que Marco Gonçalves, depois de agarrar o juiz pelo pescoço e de fazer uma "gravata", "puxou-lhe a cabeça e desferiu-lhe uma pancada com o joelho, atingindo-o na cara, especialmente no nariz".

Em consequência da agressão, José Rodrigues esteve doente durante 60 dias, com igual afetação da capacidade para o trabalho, acrescenta.

O árbitro reclama, por isso, ao arguido uma indemnização global de 32.000 euros, dos quais 25.000 se reportam a danos não materiais.

Ainda de acordo com a acusação, quando o árbitro era socorrido pelo massagista da equipa do Rio Tinto, o arguido dirigiu-se a ele novamente, proferindo expressões intimidatórias da sua integridade física e suscetíveis de coartar a sua liberdade.

Na altura dos factos, o jogador do Canelas foi suspenso por quatro anos e cinco meses pela Comissão de Disciplina da Associação de Futebol do Porto (AF Porto).

Além da suspensão, o atleta teve de pagar uma indemnização ao árbitro de 4.125 euros e outra à Associação de Futebol do Porto correspondente a 20% daquele montante.

Por seu lado, o Canelas 2010 foi sancionado com a pena de derrota no jogo com o Rio Tinto, ao qual teve de pagar uma indemnização de 1.605 euros, a que acresceu um pagamento à AF Porto de 20% desse montante.

O clube de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, foi ainda multado em mais 400 euros. Depois do sucedido, que chegou a ser noticiado por agências internacionais, os dirigentes do Canelas 2010 garantiram que o jogador não voltaria a representar as cores do clube.

Lusa

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