Desporto

Primeiro-ministro italiano mostra-se a favor de uma pausa na Serie A

Alessandro Bianchi

"Acho que um intervalo seria benéfico" diz primeiro-ministro italiano.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, mostrou-se hoje a favor da interrupção do campeonato italiano de futebol, após a morte de um adepto do Nápoles e de um jogador do mesmo clube ter sido vítima de cânticos racistas."

"Acho que um intervalo seria benéfico para se poder refletir sobre este tipo de atos e como acabar com eles. Mas deixo as autoridades competentes decidirem", afirmou Giuseppe Conte aos jornalistas, na tradicional conferência de imprensa de final de ano.

Na quarta-feira, antes do duelo Inter-Nápoles, um adepto da formação napolitana morreu após ter sido atropelado por uma carrinha conduzida por alegados adeptos da equipa de Milão, durante confrontos que ocorreram fora no estádio San Siro, e, durante o encontro, o senegalês Kalidou Koulibaly foi alvo de constantes cânticos racistas, acabando por ser expulso já perto do final do jogo, visivelmente perturbado.

"Fico realmente desanimado por descobrir que um evento desportivo pode servir para tirar a vida a alguém e considero muito grave o comportamento racista que aconteceu no estádio", referiu Conte.

O primeiro-ministro italiano disse ainda que vai reunir-se com o ministro do desporto para tentar "arranjar uma forma de a segurança ser mais eficaz, mas também agravar as penas para pessoas que tenham esse tipo de comportamento".

Conte defendeu publicamente uma pausa na Serie A, um dia depois de a federação italiana (FIGC) ter decidido que a competição iria continuar dentro do calendário planeado.

"Falei com todos para entender o clima existente e, por unanimidade, decidimos que o melhor é seguir em frente", disse a presidente da FIGC, Gabriela Gravina, após um encontro de urgência com os responsáveis da liga italiana, do comité olímpico do país e representantes do governo.

Os incidentes chegaram também à câmara de Milão, com o presidente Giuseppe Sala a pedir "desculpa" a Koulibaly em "nome das pessoas da cidade", assumindo que ficou "muito envergonhado".

Entretanto, o Inter foi punido com a realização de dois jogos à porta fechada e terá de disputar um terceiro com o segundo anel de San Siro fechado, já que é o local em que normalmente ficam posicionados os principais grupos de adeptos do clube.

Lusa

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