Economia

500 euros é quanto os portugueses querem pagar por mês por uma casa, revela estudo

Os portugueses estão disponíveis para pagar 500 euros por mês por uma casa, mas o mercado não está a responder a esta exigência. A conclusão é de um estudo feito por uma consultora imobiliária.

A consultora imobiliária, Century 21, levou a cabo um inquérito, no qual chegou à conclusão de que há um desajustamento entre oferta e procura.

"Em termos nacionais, o valor médio pretendido para a compra de habitação é de 138.623 euros", segundo as conclusões do relatório, mas o "preço médio para venda é de 173.252,84 euros, um valor que supera em 34.629 euros o valor médio disponível por aqueles que querem comprar casa".

Por mês, quem se financia para comprar casa está disponível para pagar, em média, até 500 euros.

No que diz respeito ao arrendamento, o valor médio que os portugueses estão dispostos a pagar é o mesmo, "e apenas 9,6% pondera pagar entre 500 e 600 euros", de acordo com os resultados do inquérito.

O mercado está a oferecer, em média, rendas de 536,99 euros. Mas não é só o valor que complica o acordo entre quem quer vender e quem quer comprar.

O número de quartos e casas de banho também não está ajustado ao que quem procura casa pretende.

"Cerca de 37,2% da oferta de habitação é de três quartos, o que revela um défice de 3,7 pontos percentuais face à procura, que atinge, neste critério, 40,9%", segundo concluiu a Century21.

"No entanto, o 'gap' mais expressivo encontra-se na oferta de habitações com mais de três quartos (26%), que suplanta a procura em quase 10 pontos percentuais, uma vez que apenas 16,7% dos consumidores pretende casas maiores".

No que diz respeito às casas de banho, "apenas 41% das habitações em oferta tem duas casas de banho, o que representa um défice de 8,5 pontos percentuais, em relação à procura, que atinge os 49,5%", realçou o relatório.

Mais de 70% dos inquiridos (71%) quer ainda uma casa com arrecadação.

Quanto à localização da habitação, a característica mais importante para os portugueses é a segurança da zona que escolheram para habitar, com 94,5% das pessoas a dar muita importância a esse fator. 82,6% valorizam a existência de estacionamento para residentes, ou a facilidade em encontrar lugar. 80,1% considera que é importante viver perto de lojas e supermercados. 77,8% quer estar perto de parques e espaços verdes.

O estudo também analisou quem constitui o mercado, sendo que a oferta é caracterizada por uma maior presença comparativa de homens (52,2%), com destaque para indivíduos com mais de 50 anos, e a procura liderada por mulheres (59,9%), com tendência para uma idade entre os 18 e os 39.

Apesar dos entraves, 89,7% dos portugueses preferem ter casa própria.

No geral, segundo a Century21, "a habitação mais procurada é um apartamento num prédio (61,2%), em segunda mão e sem necessitar de remodelações (60,2%), com três quartos (40,9%) e duas casas de banho (49,5%), com arrecadação (74,1%) e garagem (73,1%), com uma área entre 91 e 120 m2, (24,1%) localizada em zonas periféricas do centro (43%) ou mesmo nas áreas centrais da cidade (42,2%), desde que tenha disponibilidade de estacionamento (82,6%), boas acessibilidades e transportes públicos (80,5%), e proximidade a supermercados e comércio tradicional (80,1%), numa zona segura (94,5%)".

O inquérito, levado a cabo pela Century21, incidiu sobre 810 portugueses, com mais de 18 anos e que tenham passado pelo processo de procura de casa nos últimos 12 meses ou que pensem fazê-lo no próximo ano, bem como cidadãos que colocaram uma habitação no mercado, no mesmo período temporal.

Os inquéritos foram realizados online e por entrevista telefónica, assistida por computador.

A distribuição geográfica foi dividida em 4 zonas: Lisboa, Porto, Algarve e o resto do país.

Para a análise dos dados ajustou-se o peso de cada zona com base em informações do INE sobre a habitação. As entrevistas foram conduzidas de 20 de março a 05 de abril de 2018.

Lusa

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