Crise no Sporting

Comissão de Fiscalização do Sporting pede suspensão preventiva de Bruno de Carvalho

ANT\303\223NIO COTRIM

A Comissão de Fiscalização designada pela Mesa de Assembleia Geral do Sporting anunciou hoje ter suspendido preventivamente o Conselho Diretivo do Sporting, uma decisão com efeitos imediatos.

Em conferência de imprensa, três dos cinco elementos da CF, explicaram que a nota de culpa, que suspende as funções e impede os membros do CD do Sporting de entrarem nas instalações do clube, já seguiu para os visados, que têm agora 10 dias úteis para o contraditório.


Segundo João Duque, da CF, "compete agora à mesa da Assembleia Geral, liderada por Jaime Marta Soares, nomear uma comissão de gestão para o clube e, até essa nomeação, cabe-lhe a ele próprio tomar decisões".


Bruno de Carvalho está suspenso da presidência do CD do Sporting, e não da presidência da SAD, na qual tem mandato até 30 de junho como representante do acionista maioritário, que é o Sporting.


Segundo António Paulo Santos, da CF, "cabe à comissão de gestão nomear um representante na SAD".
Questionada sobre se Bruno de Carvalho iria ser proibido de entrar nas instalações do clube, Rita Garcia Pereira admitiu que se for necessário, a CF irá recorrer à via judicial: "Esperemos que não seja necessário recorrer à via judicial. Mas, se for preciso, recorreremos".


Na base da decisão hoje anunciada pela CF, nomeada por Jaime Marta Soares na sequência da demissão do Conselho Fiscal e Disciplinar, está uma participação disciplinar contra o Conselho Diretivo, subscrita por 21 associados e apresentada em 04 de junho.


A participação disciplinar denunciava a "prática de gravíssimos ilícitos disciplinares que colocam em causa a própria subsistência da instituição Sporting Clube de Portugal".


"Após competente avaliação da participação, que requeria a suspensão dos membros em exercício de funções no Conselho Diretivo, entendeu-se não haver necessidade de procedimento prévio e partir para a suspensão imediata e deduzir nota de culpa que seguiu ainda hoje de manhã para os membros que estão em funções", explicou Rita Garcia Pereira.


A advogada, que integra a CF juntamente com António Paulo Santos, João Duque, Henrique Monteiro e Luís Sousa, explicou que na base da suspensão está a acusação de "violação dos estatutos".


João Duque assumiu que a decisão hoje anunciada, e que foi tomada por unanimidade pelos cinco membros da CF, foi difícil de tomar, mas resulta do cumprimento da lei.


"É uma ação que nos custa tomar, mas limita-se a aplicar a lei", referiu.


O presidente demissionário da Mesa da AG, Jaime Marta Soares, que na sequência desta decisão se tornou na principal figura do clube, assistiu à conferência de imprensa, da qual estiveram ausentes por motivos pessoais Henrique Monteiro e Luís Sousa, mas remeteu para mais tarde declarações sobre a comissão de gestão.

A decisão da Comissão de Fiscalização surge um dia depois do juiz, que decretou a prisão preventiva aos 27 arguidos do processo das agressões de Alcochete, considerar que Bruno de Carvalho incentivou o clima de animosidade, que já era sentido na Juve Leo, contra os jogadores e a equipa técnica do Sporting.

No despacho a que a SIC teve acesso, o magistrado revela a estranheza pelo facto de o Sporting nunca ter criticado publicamente a escalada de violência dentro da claque.

Bruno de Carvalho já reagiu ao anúncio da Comissão de Fiscalização. O presidente do Sporting falou em "tomada de poder à força", depois de ter sido suspenso preventivamente pela Comissão designada pela Mesa de Assembleia Geral.


"Aqui está a golpada [de] que estou a falar faz duas semanas. Este pelotão de fuzilamento que se autointitula Comissão de Fiscalização foi criado para isto: Nunca quiseram realizar a AG de dia 23; É uma tomada de poder à força; É completamente ilegal tudo o que se está a passar", escreveu Bruno de Carvalho na sua página na rede social Facebook.

Com Lusa

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