Festivais 2018

Capitão Fausto e as influências brasileiras

Entrevista

Agencia Zero

Soraia Pires

Jornalista

Os Capitão Fausto subiram ao palco do Music Valley, esta sexta-feira, no Rock in Rio Lisboa. O vocalista da banda portuguesa, Tomás Wallenstein, falou sobre a inspiração que a ida ao Brasil lhes deu para o disco novo e contou ainda algumas curiosidades sobre o grupo musical.

Olá, Tomás. Como é que correu o concerto hoje?

Tomás Wallenstein: Acho que correu surpreendentemente bem. Tivemos sorte visto que esteve a chover a tarde toda e quando tocámos, parou de chover. Já há dois anos, quando tocámos num outro palco aqui no Rock In-Rio, aconteceu o mesmo: no nosso concerto não choveu nada e depois, em Real Estate, caiu uma carga de água.

Têm tido sorte com a chuva...

TW: O São Pedro tem sido nosso amigo quando vimos ao Rock in Rio.

Vocês foram para o Brasil com o intuito de se reinventarem. Agora que voltaram, acham que esse objetivo foi cumprido?

TW: Acho que estamos constantemente com a intenção de nos reinventarmos. Tanto no trabalho que fazemos como a nível pessoal. Acho que é importante para o nosso progresso a nível pessoal. Mas acho que acabam por ser passos pequenos de cada vez. Desta vez, acabámos por nos apropriar por um tipo de ideias que não tínhamos...

Que tipo de ideias?

TW: Na maneira como imaginámos a música e como a compusemos antes de ir para lá, como também as coisas que gravámos lá e os músicos que vieram gravar connosco. Portanto, a nível sónico, foi muito interessante, tal como trabalhar num estúdio onde nunca tínhamos estado, que também nos mostrou uma maneira diferente de fazer as coisas e estamos muito satisfeitos com o resultado.

Foi gratificante?

TW: Foi, sem dúvida.

Por que influências brasileiras é que se inspiram?

TW: Regra geral, não é uma referência muito evidente na nossa música. Apesar de ter tido uma presença muito grande na minha vida através dos meus pais, que ouviam muito Chico Buarque, e que eu acabei por ouvir também, mas neste caso, tentámo-nos focar na conceção musical que eles praticam. Na forma como eles encaram a música. Harmonicamente, não fomos muito atrás da cena brasileira, mas fomos um bocadinho na parte do imaginário. E foi interessante porque fizemos a maior parte das músicas antes de irmos para lá e quando chegámos lá é que conhecemos, de facto, o Brasil. Há uma espécie de uma ideia ocidental e quadrada daquele sítio. Foi interessante perceber como é que nós tínhamos imaginado a coisa e como é que ela se concretizou.

Trouxeram do outro lado do Atlântico novas influências, novas inspirações? Novas formas de olhar para a musicalidade?

TW: Trouxemos novas amizades, novos universos, cidades que conhecemos um bocadinho melhor. Havemos de voltar sem dúvida. Foi uma experiência muito interessante.

Vimos uns comentários no YouTube ao vosso mais recente single e há uns comentários interessantes. Gostava de ler-te alguns e tu comentas, pode ser?

- Só me quero casar para ter os Capitão Fausto no meu casamento.

Seria algum dia possível?

TW: É muito caro, hã. Senhora que está a planear casar-se, é bom que comece a fazer poupanças porque vai sair muito caro irmos ao seu casamento. Mas vamos abençoar essa união com a nossa alegria e com muito boa vontade, sem dúvida.

- Eu costumava ser um ar condicionado, mas agora sou vosso fã.

TW: Gosto. Gosto da ideia. Eu gostava de passar de ser fã de alguma coisa a um ar condicionado. Deve ser agradável ser um ar condicionado, refrescas as pessoas, crias bom ambiente, renovas o ar...gosto da ideia desse senhor.

- Oh Captain, my Captain!

TW: Isso é um clássico do "Clube dos Poetas Mortos" Já nos tinham dito muitas vezes. Saudades, Robin Williams.

- Aquela lágrima que escorreu agora.

As pessoas ficam emocionadas com este single.

TW: Fico contente. Às vezes, emocionar-se não é muito agradável, às vezes as pessoas ficam tristes. Mas quer dizer que, de alguma maneira, bateu. Até uma pessoa que faz "dislike", normalmente quando o faz, eu também fico contente, porque aquilo foi de tal maneira mau para a pessoa, causou-lhe uma reação tão grande, que ela teve de agir. Acho que isso também é interessante e gosto.

- Aquele hit. Venham para algum festival no Brasil.

TW: Temos tido alguns comentários nos vídeos e recebemos mensagens de pessoas no Brasil que nos seguem e a esses senhores eu digo: 'tenham paciência que nós mais tarde ou mais cedo vamos surgir'.

Fala-me sobre as canções do vosso novo disco. Falam maioritariamente sobre o quê?

TW: Sobre nós e sobre mim (risos). Eu acho que o teor das coisas não mudou muito. As motivações são sempre um ato psicoterapêutico de auto julgamento e de tentativa de ser sempre melhor. Apesar de, e assumir que nunca se vai conseguir ser sempre melhor, às vezes é-se pior e as pessoas têm defeitos e é muito sobre isso. É muito sobre como é que uma pessoa lida com a sua vida pessoal.

Qual o momento mais caricato que já tiveram em palco?

TW: Tivemos alguns (risos). Lembro-me de um concerto que demos no Ritz Club, que entretanto fechou e que é uma pena porque é uma sala lindíssima, numa festa da editora onde nós começámos, mal começou o concerto partiu-se um stand de teclado, o teclado partiu-se todo no chão, o Ferreira conseguiu apanha-lo e voltar a montar. Mas passado um minuto voltou a cair e lembro-me disso não nos abalar minimamente, nós continuámos o concerto, atarefados. Acho que foi das coisas mais insólitas, o material a destruir-se todo e nós a termos de continuar. Acho que regra geral os nossos concertos são muito parecidos uns com os outros, nós ensaiamos a coisa muito, para conseguir repeti-la bem, portanto é desejado que assim o seja e não foge muito à norma.

Obrigada, Tomás!

Veja aqui a entrevista.

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