Revista do Ano 2018

Porque é que privacidade é uma das palavras do ano

A votação para “Palavra do Ano” decorre até dia 31 de dezembro e a vencedora será conhecida nas primeiras semanas de janeiro de 2019. Pode votar neste artigo.

O direito à privacidade está constituído na Declaração Universal dos Direitos Humanos, e prevê que “ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a proteção da lei”.

Ainda assim, e com a constante expansão da Internet e das novas tecnologias, torna-se cada vez mais difícil a defesa deste direito. Em 2018, as preocupações aumentaram depois de revelados alguns perigos na utilização destas ferramentas.

O escândalo Cambridge Analytica

2018 começou com a revelação daquele que foi um dos maiores escândalos do ano: a utilização de dados de milhões de utilizadores do Facebook pela Cambridge Analytica, para influenciar campanhas políticas em todo o mundo.

A consultora britânica usou dados de cerca de 87 milhões de utilizadores do Facebook, mais de 63 mil em Portugal, de forma ilegal. O objetivo era influenciar campanhas políticas, nomeadamente no que diz respeito à eleição de Donald Trump para a Casa Branca e no referendo sobre o Brexit.

A revelação foi feita pelo anterior diretor de pesquisa da empresa, Cristopher Wylie, que afirmou que a Cambridge Analytica utilizou os dados para prever e direcionar as orientações de voto dos eleitores.

Numa investigação do Channel 4, é mostrada a forma como foi manipulada a opinião pública. A estratégia da empresa ficou evidente na conversa com os jornalistas do canal televisivo britânico, que se fizeram passar por clientes.

O canadiano que denunciou o caso foi ouvido em março no parlamento britânico e garante que o Brexit não teria acontecido sem a influência da Cambridge Analytica.

Ouvido no congresso norte-americano em abril, o presidente do Facebook admitiu que os seus próprios dados fazem parte do lote de informações usadas pela Cambridge Analytica para fins políticos. No segundo dia de depoimentos, Mark Zuckerberg reconheceu a necessidade de se avançar com medidas no sentido de alguma regulamentação.

A empresa britânica acabou por declarar falência nos Estados Unidos, depois de ter sido alvo de um processo por um tribunal de Nova Iorque. No Reino Unido, o Facebook foi multado em 560 milhões de euros.

Um novo regulamento

O Regulamento Geral sobre a Proteção dos Dados Pessoais entrou em vigor em maio, e prevê a proteção dos dados pessoais transmitidos através da Internet a todas as pessoas que se encontrem em território da União Europeia.

As empresas, administrações, associações, partidos políticos ou organizações ficam assim limitadas a recolher apenas os dados necessários.

A medida obrigou as operadoras nacionais, à semelhança de milhares de empresas, a atualizar as políticas de privacidade. Como resultado, milhares de caixas de correio e de e-mail foram inundadas com pedidos de confirmação para que o utilizador continuasse a receber informação.

Entre os dados pessoais que o regulamento quer proteger estão a morada, localização, informação de saúde, rendimento, perfil cultural ou IP de dispositivo, sendo impostas regras à recolha, armazenamento ou uso deste tipo de dados, que, não sendo cumpridas, podem ser penalizadas com multas até 20 milhões de euros ou 4% da faturação da empresa.

Na altura, a comissária europeia para a Justiça e Consumidores deixou uma série de conselhos sobre as novas regras.

Os perigos da Internet

Sabe como as redes sociais, aplicações e grandes marcas andam a invadir a sua privacidade? A Internet revolucionou o mundo, mas ainda é um desafio em termos de segurança.

Para além do Facebook, que continua envolvido em polémicas relativas com a partilha de dados dos seus utilizadores, outros nomes conhecidos dos internautas têm motivado preocupações.

Uma investigação da Associated Press revelou em agosto que a Google regista a localização dos utilizadores mesmo que estes manifestem de forma explícita a sua oposição a tal registo. Uma aplicação como a Google Maps vai recordar o utilizador para que autorize o acesso se a usar para navegar. Se este autorizar o registo da sua localização ao longo do tempo, a Google Maps vai exibir-lhe essa história numa 'linha do tempo' que mapeia os seus movimentos diários.

Arnd Wiegmann

Sobre a Huawei, foi lançado um alerta pela possibilidade de os dispositivos infringirem padrões de segurança e privacidade. A questão foi inicialmente levantada pelo exército dos Estados Unidos, que proibiu os funcionários das bases militares de comprar telemóveis da Huawei e ZTE devido aos “riscos de segurança inaceitáveis”.

É, por tudo isto, necessário que se apliquem boas práticas da navegação online, até para os mais novos.

A votação para “Palavra do Ano” decorre até dia 31 de dezembro e a vencedora será conhecida nas primeiras semanas de janeiro de 2019.

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