Tragédia em Pedrógão Grande

Sistemas de combate "não estão preparados" para alterações climáticas

PAULO NOVAIS/ LUSA

O incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, a 17 de junho, demonstra que os sistemas de combate "não estão preparados" para enfrentar as alterações climáticas, conclui o relatório da comissão técnica independente, hoje divulgado.

"O incêndio de Pedrógão Grande é, portanto, um exemplo e um aviso de como os sistemas atuais de combate a incêndios não estão preparados para enfrentar um novo problema com raiz nas alterações climáticas", refere a comissão nomeada para analisar os fogos de junho na região Centro.

Este fogo florestal, de que resultaram 64 mortos e mais de 200 feridos, "tornou esse problema evidente", segundo o documento, entregue hoje no parlamento e disponibilizado no sítio da internet da Assembleia da República.

"Urge entender o fenómeno e adaptar as estruturas de proteção civil para adquirir capacidade de antecipação e planeamento face ao mesmo, substituindo a lógica de mais meios pela lógica do conhecimento e da proatividade", adianta a comissão, no capítulo intitulado "A previsibilidade dos eventos".

Por outro lado, "é manifesta a rigidez dos procedimentos e recursos disponíveis para a pré-supressão e supressão a incêndios em Portugal, indicando deficiências na perceção do risco e impedindo uma resposta efetiva à evolução temporal do potencial de incêndios" ao longo do ano.

"Portugal não dispõe de operacionais especializados em meteorologia aplicada a incêndios, com acompanhamento permanente (em tempo real) das condições e dos incêndios ativos", alerta a comissão.

Ao analisar "a prontidão do sistema de defesa da floresta contra incêndios", a comissão afirma que "a incapacidade em reconhecer e/ou responder atempada e adequadamente às condições meteorológicas que seriam enfrentadas, ao longo do dia 17, está na génese da tragédia" de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria.

O fogo que deflagrou em Pedrógão Grande no dia 17 de junho só foi extinto uma semana depois, tal como o incêndio que teve início em Góis (distrito de Coimbra). Os dois fogos, que consumiram perto de 50 mil hectares em conjunto, mobilizaram mais de mil operacionais no combate às chamas.

O relatório hoje entregue no parlamento analisa os fogos ocorridos entre 17 e 24 de junho nos concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Ansião, Alvaiázere, Figueiró dos Vinhos, Arganil, Penela, Oleiros, Sertã, Góis e Pampilhosa da Serra.

Lusa

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