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Parkinson dificulta reconhecimento de emoções na voz e na música

Um estudo de investigadores da Universidade do Porto sugere que a doença de Parkinson dificulta o reconhecimento de emoções na voz e na música, esperando os autores "uma maior sensibilidade a estas dificuldades no funcionamento social" dos doentes.

Reuters/arquivo

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© Ho New / Reuters

As conclusões do novo estudo, que avança que o Parkinson dificulta o  reconhecimento de emoções em estímulos auditivos, especificamente na voz  e na música, foram avançadas à agência Lusa por um dos três autores, César  Lima, doutorado em Psicologia pela Universidade do Porto e investigador  Pós-Doc do Centro de Psicologia desta universidade e do Instituto de Neurociência  Cognitiva da University College London. 

"Resolvemos fazer este estudo porque, embora houvesse investigação prévia  sobre o possível impacto na doença de Parkinson na nossa capacidade de reconhecer  emoções nos outros, a verdade é que a maior parte desses estudos foram feitos  apenas com expressões faciais e com resultados não muito consistentes",  explicou. 

César Lima adiantou que os resultados -- cujo artigo resultante foi  publicado recentemente no Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology  - "sugerem que a doença de Parkinson parece estar associada a dificuldades  mais no reconhecimento de emoções auditivas do que visuais, e que mesmo  dentro das emoções auditivas podem existir especificidades dependentes do  tipo de estímulo". 

"De um ponto de vista clínico, o que nós esperamos é que haja uma maior  sensibilidade a estas dificuldades no funcionamento social e competências  que são importantes para a comunicação e para o funcionamento social, de  maneira a que elas também possam ser alvo de futuras terapêuticas com estes  doentes", enfatizou. 

O estudo demonstrou que "quando as emoções eram comunicadas através  da voz, as dificuldades dos doentes eram gerais, enquanto nas emoções que  eram expressas através da música, as dificuldades foram específicas para  as emoções positivas, como é o caso da alegria e da serenidade", descreveu.

Segundo o especialista, "o facto das dificuldades dos doentes terem  sido diferentes para a voz e para a música, mostra que, ao contrário que  se tem discutido recentemente em neurociências, reconhecer emoções em voz  não envolve apenas aspetos comuns do ponto de vista cerebral, mas há também  aspetos que parecem ser específicos a cada um dos níveis". 

"De um ponto de vista mais clínico, podemos dizer - ou especular - que  estas dificuldades no reconhecimento de emoções na doença da Parkinson podem  estar associadas a dificuldades de comunicação com os outros e em termos  de funcionamento social, e por isso devem ser alvo de atenção por parte  dos clínicos", defendeu. 

Este estudo - da responsabilidade também de São Luís Castro, doutorada  em Psicologia Experimental e Carolina Garrett, neurologista no Hospital  S. João - foi realizado no âmbito de uma colaboração entre as faculdades  de Psicologia e de Medicina da Universidade do Porto e foi financiado pela  Fundação Bial e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.  

Os investigadores estudaram 24 doentes de Parkinson, seguidos no Serviço  de Neurologia do Hospital de S. João, no Porto, e 25 pessoas saudáveis com  a mesma idade e escolaridade. 

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