Durante quatro semans, seis cordeiros com o equivalente a 23 semanas de gestação de um feto humano, foram colocados dentro das bolsas de plástico que continham uma substância indêntica ao líquido amniótico. Segundo os cientistas, o método resultou, pois os cordeiros tiveram um desenvolvimento saudável, sem qualquer complicação, e o mais velho já completou um ano de vida.
"Os cordeiros mostraram uma respiração normal e a capacidade de engolir, abriram os olhos, desenvolveram lã, tornaram-se mais ativos, e tiveram um desenvolvimento normal, funções neurológicas e maturação dos órgãos", pode ler-se num comunicado do Hospital Pediátrico de Filadélfia.
Nature Communications
O cirurgião e principal autor do estudo, Alan Flake, explica que "foi desenvolvido um sistema que, de forma mais parecida possível, reproduz o ambiente do útero e susbtitui a função da placenta". Flake acrescenta ainda que "os bebés que nascem entre as 22 e as 24 semanas de gestação têm apenas 10% de probabilidades de sobreviver. Aqueles que sobrevivem ficam muito vulneráveis a infeções nas incubadoras e podem ter graves problemas de visão e audição".
Atualmente, os bebés que nascem prematuros são colocados em incubadoras até completarem o período normal de gestação. No entanto, as incubadoras não fornecem as mesmas condições que o sistema Biobag.
Os cientistas alertaram para o facto do Biobag não ter como objetivo reduzir o tempo de gravidez mas sim fornecer um melhor cuidado aos bebés que nascem prematuros.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos nascem 15 milhões de bebés prematuros.
Em declarações à Science Media Center, o professor de Medicina Reprodutiva da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, disse que este novo método "É um conceito verdadeiramente atrativo e um importante passo em frente, mas ainda há muitos desafios para refinar esta técnica, para conseguir resultados mais consistentes e comparar os seus efeitos com as estratégias de cuidados neonatais usadas hoje".
A equipa de cientistas que desenvolveu o Biobag diz que ainda são necessárias várias adaptações ao projeto e que podem demorar perto de uma década para as concretizar. Mas salientam que, caso resulte, poderá vir a "estabelecer um novo padrão de cuidados" para bebés prematuros.