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Presidente das Honduras apela ao diálogo mas oposição continua a exigir novas eleições

Juan Orlando Hernandez, Presidente das Honduras

Jorge Cabrera

O Presidente das Honduras, Juan Orlando Hernandez, oficialmente reeleito no domingo, apelou ao diálogo para pôr termo à crise política, mas a oposição mantém que houve fraude e exige a realização de novas eleições.

"Na qualidade de Presidente eleito, estou de mão estendida e de espírito aberto para ouvir atentamente o outro lado e encontrar, por via de um amplo diálogo, um acordo nacional que permita consolidar a paz e a segurança" a fim de construir um novo país, afirmou o conservador Juan Orlando Hernandez, de 49 anos, num discurso na terça-feira, transmitido pela televisão e rádio.

Este apelo do Presidente das Honduras foi já rejeitado por Manuel Zelaya, coordenador da Aliança da Oposição contra a Ditadura, a coligação de esquerda, cujo candidato às eleições presidenciais de 26 de novembro foi Salvador Nasralla, 64 anos, um popular animador de televisão sem experiência política.

Manuel Zelaya afirmou que a oposição apenas aceitará um diálogo com Juan Orlando Hernandez se for reconhecida a vitória de Salvador Nasralla nas presidenciais.Salvador Nasralla, que se encontra em Washington para conversações na Organização dos Estados Americanos (OEA) e no Departamento de Estado norte-americano, deu conta dos seus objetivos: "Sim, quero participar no diálogo com Hernandez para que ele compreenda que o país será ingovernável com ele no poder durante quatro anos e todo o povo contra", declarou à agência de notícias francesa AFP.

Durante uma conferência de imprensa, Nasralla exigiu novas eleições: "O que a comunidade internacional, os Estados-membros da OEA e os Estados Unidos devem compreender é que a saída desta crise nas Honduras precisa de um processo imediato de negociações, sob mediação da comunidade internacional, relativamente a três pontos-chave: quando, como e sob que condições teremos a possibilidade de realizar novas eleições presidenciais".

Neste sentido, exortou a comunidade internacional, a OEA e Washington a não reconhecer o escrutínio do passado dia 26 de novembro e o novo mandato de Hernandez, instando-os a "suspender a sua ajuda externa a um governo não-constitucional".

Nasralla, que foi a Washington para denunciar o que a oposição descreve como "monumental fraude" eleitoral, uma posição partilhada por alguns observadores internacionais, declarou na segunda-feira ter apresentado "provas" ao secretário-geral da OEA, Luis Almagro.

Luis Almagro considerou haver uma série de zonas cinzentas nas presidenciais para que sejam válidas, pelo que se pronunciou a favor de novas eleições. Dois porta-vozes do Partido Nacional (PN) de Hernandez descartaram, porém, a possibilidade de um novo escrutínio.

Hernandez foi declarado oficialmente vencedor das eleições presidenciais no domingo pelo Supremo Tribunal Eleitoral (TSE) com 42,95% dos votos contra 41,42% de Nasralla. Após o escrutínio, durante a publicação dos resultados parciais, quando estavam contabilizados 57% dos boletins de voto, Nasralla tinha uma clara vantagem sobre o adversário.

Contudo, Hernandez passou para a frente depois de uma série de interrupções no sistema de contagem do TSE. Após a proclamação oficial dos resultados, no domingo, pelo TSE, a oposição saiu para a rua, bloqueando estradas em diferentes regiões das Honduras e envolveu-se em confrontos com a polícia e o exército que recorreram a gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.

Os protestos terminaram na terça-feira na capital, Tegucigalpa, mas prosseguiram, de forma esporádica, no norte do país, tendo resultado num número indeterminado de feridos de ambos os lados.

A violência estalou logo após as eleições de 26 de novembro e fez 14 mortos, segundo a Amnistia Internacional. A oposição das Honduras fala, no entanto, em 24 vítimas.

Lusa

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