Mundo

Alunos da escola da Florida julgaram que alarme do tiroteio era para um simulacro

Wilfredo Lee/ AP

Os alunos liceu Marjory Stoneman Douglas, onde na quarta-feira 17 pessoas morreram num tiroteio, pensavam que quando o alarme soou se tratava de mais um simulacro de incêndio, idêntico ao que tinham feito horas antes. Depois da tragédia, os alunos relatam o episódio e revelam detalhes da vida pessoal do atirador.

Tal exercício tinha-os obrigado a deixar as salas mais cedo, logo, quando o alarme voltou a disparar na quarta-feira à tarde, pouco antes da hora de saída, voltaram a dirigir-se aos corredores. Foi nessa altura que, segundo a polícia, Nikolas Cruz, de 19 anos, equipado com uma máscara de gás, granadas de fumo e várias revistas de munições, abriu fogo com uma arma semiautomática, matando 17 pessoas e obrigando centenas de estudantes a fugir para a rua.

Victoria Olvera, uma jovem de 17 anos da escola, disse que Cruz foi expulso no último ano letivo porque lutou com o namorado de uma sua ex-namorada. Acrescentou que ele tinha abusado de uma namorada. "Eu acho que todos tinham em mente que se alguém pudesse fazer uma coisa destas, seria ele", disse.

Cruz foi levado para a prisão sem resistência, cerca de uma hora após o tiroteio, num bairro residencial a cerca de 1,6 quilómetros de distância. Ele tinha várias revistas de munição, segundo as autoridades. "É catastrófico. Realmente não há palavras", disse o xerife Scott Israel do condado de Broward.

Os pais, assustados, acorreram à escola e encontraram elementos da força especial de intervenção, ambulâncias à volta do campus e membros das equipas de emergência que pareciam estar a tratar os feridos na rua.

Os alunos que permaneceram no interior dos edifícios começaram a sair em fila, com as mãos sobre as cabeças, assim que a polícia pediu para evacuarem o espaço. Assim que ouviram os disparos, muitos estudantes esconderam-se sob as secretárias ou armários e barricaram as portas.

"Estávamos na esquina, longe das janelas", afirmou o caloiro Max Charles, que disse ter ouvido cinco tiros. "O professor trancou a porta e desligou a luz. Achei que podia morrer". Quando Max saiu do prédio, viu quatro estudantes e um professor mortos. O jovem contou que apenas ficou aliviado quando encontrou a sua mãe. "Fiquei feliz por estar vivo", disse Max. "Ela estava a chorar quando me viu".

Noah Parness, um jovem de 17 anos, disse que ele e os outros estudantes saíram calmamente para suas áreas de 'fuga de fogo', julgando ser um simulacro, quando de repente ouviu os sons dos tiros. "Nós vimos um monte de professores a correr pela escada e todo mundo mudou e entrou noutra velocidade", disse Parness.
A maioria dos mortos estava dentro do edifício, embora algumas vítimas tenham sido mortas no exterior, disse o xerife.

O senador Bill Nelson disse à CNN que Cruz havia puxado o alarme de incêndio "para que os alunos saíssem das salas de aulas para o corredor".

Foi o tiroteio mais mortal nas escolas do país desde que um homem armado atacou uma escola primária em Newtown, Connecticut, há mais de cinco anos. "O nosso distrito está em um tremendo estado de tristeza", disse Robert Runcie, superintendente do distrito escolar em Parkland (Florida), a cerca de uma hora de carro a norte de Miami. "É um dia horrível para nós".

A cena foi como que uma reprodução do ataque de Newtown, que chocou um país onde os tiroteios nas escolas são regulares. O assalto de 14 de dezembro de 2012 à escola primária Sandy Hook matou 26 pessoas: 20 alunos do primeiro ano e seis membros do 'staff'. O homem armado de 20 anos, que também tinha matado a mãe, acabou por se suicidar.

Pouco depois do ataque de quarta-feira na Flórida, Michael Nembhard estava sentado na sua garagem num beco sem saída quando viu um jovem a descer a rua. Num instante, surgiram carros de polícia e vários agentes puxaram das armas.

"Tudo o que eu ouvi foi 'Fica no chão! Fica no chão!'", disse Nembhard, que contou que o jovem Cruz obedeceu.

A escola deverá ficar encerrada o resto da semana.

A história de Nikolas Cruz, ex-aluno que matou 17 pessoas

As autoridades não deram detalhes imediatos sobre Nikolas Cruz ou o eventual motivo deste ataque, dizendo apenas que o jovem tinha sido expulso do liceu, que tem cerca de 3.000 alunos. Estudantes que o conheciam descreveram um adolescente volátil, cujo comportamento estranho fazia com que outros acabassem as amizades com ele.

A mãe de Cruz, Lynda Cruz, morreu de pneumonia no passado dia 1 de novembro, disseram amigos e familiares do jovem, de acordo com o Sun Sentinel. Lynda Cruz e o seu marido, que morreu de ataque cardíaco há vários anos, adotaram Nikolas Cruz e o seu irmão biológico, Zachary, depois de o casal se mudar de Long Island, em Nova York, para o condado de Broward.

Os meninos foram deixados ao cuidado de um amigo da família depois de a mãe morrer, disse Barbara Kumbatovich, membro da família, de Long Island. Infeliz, Nikolas Cruz pediu para se mudar com a família de um amigo no noroeste de Broward.

A família concordou e Cruz mudou-se no Dia de Ação de Graças. De acordo com o advogado da família, Jim Lewis, que não os identificou, eles sabiam que Nikolas Cruz possuía uma arma AR-15, mas obrigavam-no a tê-la trancada num armário, de que o jovem tinha a chave. Jim Lewis disse que a família está devastada e a cooperar com as autoridades.

Com Lusa

  • Morreu Pedro Queiroz Pereira
    2:00
  • Belenenses recebe FC Porto esta tarde no Jamor
    1:51

    Desporto

    O Belenenses e o Futebol Clube do Porto encontram-se esta tarde no Estádio Nacional do Jamor.Sergio Conceição espera um jogo complicado mas considera que a equipa está preparada para a vitória. Já Silas, treinador da equipa do Restelo, diz que só sabe jogar ao ataque e nem quer ouvir falar em empates.

  • A vida e carreira de Kofi Annan
    3:39