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Xanana Gusmão troca assinatura de tratado de fronteiras por visita à Serra Leoa

Kandhi Barnez

Xanana Gusmão, que liderou a equipa de Timor-Leste que negociou o tratado de fronteiras com a Austrália, não participa na cerimónia de assinatura do histórico documento tendo optado por, em vez de Nova Iorque, viajar para a Serra Leoa.

A visita, que não tinha sido previamente anunciada em Timor-Leste, foi confirmada por uma foto divulgada na página no Twitter da Comissão Nacional de Eleições da Serra Leoa, onde se vê o responsável do órgão eleitoral com o ex-Presidente timorense.

"O responsável da CNE, Mohamed Conteh, dá as boas vindas ao ex-Presidente de Timor-Leste, Kay Rala Xanana Gusmão", refere a legenda da foto divulgada hoje. A visita ocorre na véspera de eleições presidenciais, parlamentares e locais.

A noticia da não-participação de Xanana Gusmão na cerimónia de hoje em Nova Iorque causou surpresa em Díli, suscitando vários comentários nas redes sociais, ainda que não tenha havido qualquer reação oficial. Fontes diplomáticas e políticas em Díli e Nova Iorque confirmaram à Lusa que Xanana Gusmão não estará na cerimónia, não tendo sido dada até ao momento qualquer explicação para a decisão.

O tratado vai ser assinado pelo atual ministro Adjunto do primeiro-ministro timorense para a Delimitação de Fronteiras, Agio Pereira, e pela ministra dos Negócios Estrangeiros australiana, Julie Bishop. O secretário-geral da ONU, António Guterres, e o presidente da Comissão de Conciliação, Peter Taksøe-Jensen, que mediou as negociações entre os dois países, testemunham a assinatura.

A agenda prevê que as duas delegações se encontrem antes da cerimónia de assinatura, a que se seguirão declarações dos dois signatários e das duas testemunhas e, posteriormente, uma conferência de imprensa conjunta.

O dia deve terminar com uma receção oficial em que se esperam declarações de Julie Bishop e Agio Pereira.O tratado, cujos contornos exatos não são ainda conhecidos, coloca a linha de fronteira na posição defendida por Timor-Leste, ou seja, equidistante dos dois países, como Díli sempre reivindicou, segundo confirmaram à Lusa fontes que participaram nas negociações.

Lusa

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