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Autoridades britânicas detetam vestígios de agente químico que envenenou ex-espião russo

Henry Nicholls

As autoridades britânicas anunciaram hoje que "traços de contaminação" do gás químico administrado ao ex-expião russo e à sua filha foram encontrados num restaurante e num 'pub' de Salisbury (sul de Inglaterra) que Serguei Skripal frequentou no passado domingo.

Os serviços sanitários britânicos dizem que o risco para o público permanece baixo, mas pediram hoje às mais de 500 pessoas que estiveram no passado domingo no 'pub' e no restaurante que lavem os seus pertences por precaução, por poderem ter estado em contacto com o gás químico que envenenou o ex-espião.


O conselho aplica-se a todas as pessoas que estiveram nestes locais a partir das 13:00 do passado domingo, quando o agente duplo russo e a filha foram encontrados inconscientes depois de terem frequentado ambos os locais.


Os conselhos implicam lavar a roupa à máquina, a introdução em sacos das peças que não podem ser lavadas à máquina, a limpeza dos telemóveis e outros dispositivos com toalhetes húmidos que devem ser introduzidos num saco e eliminados no lixo e a lavagem de objetos como joias com água quente e detergente.


As autoridades também não disseram que tipo de agente químico foi usado.
Anteriormente, a BBC já tinha citado fontes que disseram que vestígios foram encontrados no restaurante Zizzi, onde Sergei Skripal e a sua filha Yulia comeram antes de serem encontrados gravemente doentes.


A Sky News, pelo seu lado, revelou que foram encontrados vestígios em vários locais.


De acordo com o canal público britânico BBC, não há indícios de que algum dos clientes que comeram nesse estabelecimento no domingo passado tenha sido intoxicado pelo agente químico.


A pizzaria foi selada pelas forças de segurança, assim como a casa de Skripal, o 'pub' e o cemitério da cidade inglesa, onde estão os restos de sua esposa, que morreu em 2012, e um memorial dedicado ao seu filho, cremado no ano passado.


O exército britânico manteve, durante o terceiro dia consecutivo, as tropas em campo para colaborar com a investigação policial, envolvendo mais de 250 agentes de unidades antiterroristas de várias regiões do Reino Unido.


A Rússia negou qualquer ligação ao acontecido, embora o ministro britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson, tenha dito que Londres irá objetar, se descobrir que Moscovo esteve implicada no envenenamento.


A embaixada russa em Londres publicou uma mensagem no 'Twitter' que relaciona o envenenamento de Skripal e o assassínio em 2006 no Reino Unido do ex-funcionário dos serviços secretos russos Aleksandr Litvinenko, bem como com a morte de outros exilados russos.


"Que coincidência! Litvinenko e Skripal trabalharam para o MI6", diz o 'tweet', que salienta que o oligarca russo Boris Berezovsky e o empresário Alexander Perepilichny também "estão relacionados com os serviços especiais do Reino Unido".


Berezovsky, exilado na Inglaterra, foi encontrado enforcado em 2013, enquanto Perepilichny entrou em colapso quando fazia exercício perto da sua casa, no município inglês de Surrey, em 2012.

Lusa

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