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Trump justifica demissão de Tillerson com desacordos no dossiê nuclear do Irão

Andrew Harnik / AP

O Presidente dos Estados Unidos invocou hoje desacordos com o secretário de Estado Rex Tillerson sobre o dossiê nuclear iraniano como uma das razões para demitir hoje o titular da pasta da diplomacia norte-americana.

"Quando se observa o acordo sobre o programa nuclear iraniano, penso que é horrível, Tillerson pensa que está bem. Nós entendíamo-nos bem, mas tivemos desacordos", explicou Trump, nos jardins da Casa Branca, antes de embarcar no helicóptero que o transporta até à Califórnia.

Donald Trump assegurou ainda que a sua forma de pensar "é similar" à de Mike Pompeo, ex-diretor da CIA, designado hoje o novo secretário de Estado, em substituição de Tex Tillerson.

"Com Mike Pompeo, temos uma forma de pensar similar. Tem uma energia tremenda, um tremendo intelecto, estamos sempre na mesma onda. A nossa relação é realmente boa", afirmou.

O anúncio do Presidente norte-americano de demissão de Tillerson foi feito através da rede social Twitter.

Tex Tillerson garantiu não ter falado com Trump antes de ter sido demitido da Administração.

"O secretário (de Estado) não falou com o Presidente esta manhã e ignora as razões, mas ele reconhece que serviu a causa pública e continua a pensar que servir é uma tarefa nobre", afirmou um responsável pelo departamento de Estado.

Momentos depois do 'tweet' matinal de Trump, em que o chefe de Estado norte-americano referiu que escolheu Gina Haspel para liderar a CIA, um responsável veio explicar que a substituição de Rex Tillerson se deve ao facto de o Presidente querer mudar a sua equipa para as eventuais negociações com a Coreia do Norte.

Mike Pompeo irá assumir a liderança do Departamento de Estado norte-americano alguns dias depois do inesperado anúncio de um possível encontro, de contornos inéditos, entre Trump e o líder norte-coreano Kim Jong Un. O local, a data e outros aspetos deste encontro ainda estão por determinar.

Rex Tillerson, que tinha iniciado na semana passada o seu primeiro périplo pelo continente africano, decidiu na segunda-feira encurtar esta viagem e antecipar o regresso a Washington. A equipa de Tillerson disse na altura que o representante tinha encurtado em um dia a permanência na Nigéria devido a "trabalho urgente" em Washington.

Em dezembro de 2016, a escolha de Rex Tillerson, então presidente-executivo do gigante petrolífero Exxon Mobil com ligações reconhecidas ao Kremlin, para liderar a diplomacia dos Estados Unidos gerou controvérsia.

Sem qualquer experiência diplomática ou governativa, Tillerson foi apresentado ao mundo como próximo do Presidente russo, Vladmir Putin, e do Kremlin.

O próprio chegou a confessar ter ficado "boquiaberto" quando Trump lhe fez o convite para liderar o Departamento de Estado e admitiu que só assumiu a pasta porque a mulher o convenceu.

Lusa

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