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PM eslovaco aceita demitir-se para resolver crise após assassínio de jornalista

Radovan Stoklasa

O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, anunciou esta quarta-feira que vai apresentar a sua demissão nas próximas horas para tentar preservar o atual governo de coligação, na sequência da crise motivada pelo recente assassinato de um jornalista de investigação.

Fico assegurou estar pronto para se demitir caso o novo primeiro-ministro seja proveniente do seu partido Smer (social-democrata) e que o nome seja apresentado na quinta-feira.

O objetivo consiste em completar a atual legislatura, até março de 2020. A decisão do chefe do executivo e líder dos sociais-democratas foi aceite pelos seus parceiros do ultranacionalista Partido nacional eslovaco e do Most-Hid, que representa a minoria húngara, mas permanece pendente de confirmação pelo Presidente Andrej Kiska.

O chefe de Estado tinha exigido uma ampla remodelação ministerial ou eleições antecipadas para ultrapassar a crise. Dezenas de milhares de eslovacos manifestaram-se na semana passada para exigir a demissão do Govenro. A atual crise teve origem no assassinato de um jornalista de investigação eslovaco.

Ainda hoje, a União Europeia tinha pedido à Eslováquia um rápido esclarecimento sobre esta morte, e a cooperação de Bratislava com o Gabinete europeu de luta anti-fraude. Os corpos do jornalista Jan Kuciak e da sua companheira, Martina Kusnirova, foram encontrados no dia 25 de fevereiro na sua casa em Velka Maca, a cerca de 65 quilómetros a leste de Bratislava. Ambos terão sido executados com um tiro na nuca.

O 'site' da internet Aktuality.sk, onde Kuciak trabalhava, referiu que o jornalista tinha estado a investigar atividades da máfia italiana na Eslováquia, e possíveis ligações com pessoas próximas de Fico.

Este acontecimento já tinha implicado a demissão de dois ministros eslovacos. O 'site' e outros meios do mesmo grupo publicaram uma versão inacabada do artigo de Kuciak sobre as alegadas relações políticas de empresários italianos suspeitos de estarem ligados à máfia calabresa 'Ndrangheta', que operaria no leste da Eslováquia.

Alguma imprensa fez eco deste artigo, suscitando críticas do primeiro-ministro, que mostrou aos jornalistas várias pilhas de notas, representando um prémio de um milhão de euros para qualquer informação que possa ajudar a encontrar os responsáveis do crime.

Este caso na Eslováquia ocorre depois do assassinato em Malta, em outubro de 2017, da jornalista Daphne Caruana Galizia, que denunciou crimes e corrupção na ilha do Mediterrâneo, também um Estado-membro da União Europeia.

Lusa

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