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Ex-diretor do FBI compara liderança de Trump a organização mafiosa

Yuri Gripas

O ex-diretor da polícia federal norte-americana (FBI) James Comey acusou o Presidente dos Estados Unidos de ser "desapegado da verdade", denunciando uma liderança "guiada pelo ego e apoiada em lealdades pessoais".

"A presidência de Donald Trump ameaça muito do que é bom nesta nação", escreve Comey no livro "Uma lealdade mais elevada", que vai para as bancas na próxima semana.O livro, que está repleto de declarações e acusações fortes contra Trump, surge 11 meses depois do afastamento de Comey, da direção do FBI.

Comey interpreta Trump como sendo uma figura mafiosa que tenta ultrapassar a linha entre a aplicação da lei e a política, denunciando que este o tentou pressionar, pessoalmente, a respeito da sua investigação sobre a interferência da eleição russa.

O ex-diretor do FBI descreve ainda que quando estava em reuniões com Trump e com a sua equipa lembrava-se do tempo em que investigava a máfia italiana, como procurador em Manhattan. "Ele tentava fazer de nós todos parte da mesma família", denuncia.

A administração dos Estados Unidos é um "incêndio florestal" que não pode contido, afirma o ex-diretor do FBI, entre muitas outras acusações sobre o caráter pessoal de Donald Trump.

Em conversas pessoais com Trump, Comey assume que o Presidente dos Estados Unidos lhe pediu para investigar -- e provar que era mentira - um alegado envolvimento com prostitutas, num hotel em Moscovo.

Comey escreve que o Presidente queria que se investigasse o caso para tranquilizar a mulher, Melania Trump.

Donald Trump afastou Comey da chefia do FBI, em maio de 2017, desencadeando uma disputa no Departamento de Justiça que levou à nomeação de Robert Mueller como conselheiro especial para investigar uma alegada interferência da Rússia, durante as últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos.

Mueller está também a investigar uma possível obstrução à justiça por parte de Trump, e as razões que levaram à demissão de Comey.

O ex diretor do FBI diz ter sido pressionado para encerrar uma investigação sobre o antigo assessor de segurança nacional Michael Flynn.

James Comey afirma que Donald Trump pediu-lhe para abandonar a investigação sobre Flynn, envolvido no caso da alegada ingerência russa nas presidenciais.

Lusa

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