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Reino Unido convida Zimbabué para cimeira da Commonwealth 15 anos depois

Luke MacGregor

O Zimbabué vai participar, a convite do Reino Unido, na Cimeira da Commonwealth, regressando desta forma aos palcos internacionais, 15 anos depois de ter sido suspenso da comunidade britânica, disse esta segunda-feira fonte oficial.

Segundo o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros zimbabueano, Joey Bimha, citado pela agência noticiosa France Presse (AFP), o Zimbabué será representado nos trabalhos, que começam terça-feira em Londres, terminando um dia depois, pelo chefe da diplomacia, Sibusino Moyo, que não participará, porém, nas deliberações finais.

O antigo Presidente do Zimbabué Robert Mugabe fechou a porta à participação do país na cimeira que reúne as antigas colónias britânicas depois de, em 2003, a Commonwealth ter decidido suspendê-lo na sequência das eleições gerais de então, marcadas pela violência e por acusações de fraude.

"O ministro (Sibusino Moyo) foi convidado pelo seu homólogo britânico (Boris Johnson), mas não participará nas deliberações", referiu Bimha, salientando que a participação do Zimbabué nos trabalhos da cimeira "demonstra a vontade" do novo chefe de Estado, Emmerson Mnangagwa, em melhorar as relações internacionais e de desenvolver os investimentos estrangeiros no país.

"O Presidente (Emmerson Mnangagwa) já disse que fará tudo o que for necessário para retomar o contacto com o mundo", lembrou.

O Zimbabué começou a ficar cada vez mais isolado no mundo durante a década de 1990, face à deriva autoritária de Robert Mugabe, que presidiu o país entre 1980 (ano da independência) e novembro de 2017, quando foi forçado, aos 93 anos (já fez 94) a abandonar o poder num "golpe de força" quer do exército quer a União Nacional Africana do Zimbabué - Frente Patriótica (ZANU-PF), partido que liderou também até então.

Antigo vice-presidente e fiel ao regime de Mugabe, Emmerson Mnangagwa, 75 anos, prometeu relançar a economia e as finanças que o regime autoritário do ex-chefe de Estado deixou na penúria após 37 anos de poder.

Lusa