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Assad devolve a França Grande Cruz da Legião de Honra concedida em 2001

A Síria devolveu à França a Grande Cruz da Legião de Honra, a maior condecoração por mérito concedida pelo Estado francês, entregue em 2001 ao Presidente sírio, Bashar al-Assad, que diz não se sentir honrado com a distinção.

Segundo a agência Efe, há dois dias o Eliseu informou a agência de notícias espanhola em Paris de que a França estava disposta a iniciar um processo disciplinar contra Assad para lhe retirar a Legião de Honra.

De acordo com um comunicado do gabinete do Presidente sírio, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Síria devolveu a condecoração a França através da Embaixada da Roménia em Damasco, que representa os interesses franceses no país, depois de Paris ter encerrado a sua representação diplomática em 2012.

A mesma nota explica que a decisão é consequência da participação francesa na "agressão tripartida", em conjunto com os Estados Unidos e o Reino Unido, contra a Síria, a 14 de abril deste ano.

No passado sábado estes três países bombardearam a Síria, atingindo posições de interesse do regime sírio, como represália por um alegado ataque químico uma semana antes, atribuído ao Governo de Assad, numa zona sob controlo da oposição, próxima de Damasco.

A presidência síria garantiu que Assad "não se sente honrado por ter recebido esta condecoração de um regime servo dos EUA, que apoia organizações terroristas na Síria e ataca um Estado membro da ONU em violação flagrante dos fundamentos e princípios da lei internacional".

O comunicado sublinha ainda que a Síria respeitou sempre as relações internacionais e o direito dos povos à autodeterminação, "pelo que recusa qualquer imposição internacional, especialmente se proveniente de regimes politicamente imaturos, sem experiência, sabedoria e decência".

Assad recebeu a Grande Cruz em 2001 da mão do então presidente francés, Jacques Chirac, que saudou a atitude reformista do chefe de Estado sírio.

Desde 2010 que o código da Legião de Honra estabelece que a condecoração pode ser retirada a estrangeiros "condenados por crimes ou com penas de prisão de pelo menos um ano", ou a quem tenha cometidos atos contrários à honra recebida.

Lusa

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