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Grande Barreira de Coral da Austrália sofreu "colapso catastrófico"

David Gray

A Grande Barreira de Coral da Austrália, património mundial da UNESCO, sofreu um "colapso catastrófico" de corais durante uma vaga de calor em 2016, "uma ameaça à diversidade da vida marinha", revelou hoje um estudo da revista Nature.

De acordo com a publicação, um terço dos corais de superfície da Grande Barreira morreu em 2016 devido ao aumento das temperaturas.

Património Mundial da UNESCO desde 1981, a Grande Barreira de Coral estende-se ao longo de cerca de 2.400 quilómetros, na costa Leste da Austrália, e é o maior complexo de recifes de coral do mundo.

O estudo refere que os "recifes de coral representam menos de 1% do ambiente marinho da Terra, mas abrigam cerca de 25% da vida marinha".

"A morte destes corais causou mudanças radicais na mistura de espécies em centenas de recifes individuais", explicou à agência AFP um dos autores do estudo, Andrew Baird.

A mudança na mistura de espécies e a perda total de corais "tem um impacto sobre todas as criaturas que dependem dos corais para alimentação e habitat", sublinhou o co-autor Terry Hughes.

O estudo apela à proteção dos corais sobreviventes, estimados em cerca de mil milhões, dependentes agora da "melhoria da qualidade da água e pela redução da poluição costeira".

Se não se limitar a subida da temperatura entre 1,5 graus Celsius e dois graus Celsius - estabelecido no Acordo de Paris -, "a Grande Barreira de Coral corre mesmo o risco de desaparecer", concluíram os cientistas.

Lusa

  • 1.500 km de estragos na Grande Barreira de Coral

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    São cerca de dois terços - 2/3 - do maior recife de coral do mundo em risco de desaparecer. Os últimos dois anos consecutivos de branqueamento de corais, provocados pelas alterações climáticas e pelo aquecimento da água do mar, deixaram um rasto de destruição na Grande Barreira de Coral, num fenómeno que já aconteceu em 1998 e 2002. E, como se não bastasse, esta mesma região da costa nordeste australiana foi fustigada pelo ciclone tropical Debbie no final de março que danificou mais um corredor de 100 km de largura.

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