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Órgãos eleitorais de Timor-Leste acusam oposição de publicações falsas em época de eleições

Lirio Da Fonseca

O presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) acusou esta quinta-feira a coligação da oposição, a AMP, de publicar nas redes sociais suspeitas infundadas sobre os órgãos eleitorais, que não passam de "informações falsas" que podem desestabilizar o país.

Alcino Baris disse à Lusa que o assunto foi discutido numa reunião plenária dos órgãos eleitorais, que decorreu hoje em Díli e que várias queixas foram já encaminhadas para o Ministério Público.

"Já enviámos várias queixas e enviaremos sempre que pessoas continuem a tentar fazer agitações com informações falsas para desestabilizar o país. Timor-Leste é um Estado de direito democrático", insistiu.

Em duas publicações na página oficial da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) no Facebook, a coligação deixa vários "alertas" afirmando que o primeiro-ministro e secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, elementos dos órgãos eleitorais, CNE e STAE, estão "a preparar um mecanismo de manipulação das eleições antecipadas".

Sem apresentar quaisquer provas concretas, a AMP fala de impressão de duplicados de cartões, "para dar a vitória à Fretilin", de preparar para trocar as urnas com votos depois da votação e de supostas tentativas de comprar votos com "dinheiro e arroz".

Nas publicações refere ainda que os oficiais nos centros de votação vão "manipular" o voto para que a Fretilin vença, acusam o STAE de ter preparado duplicações de boletins e de urnas e dizem que o objetivo é que a AMP "vença sem maioria absoluta e só com maioria simples".

Alcino Baris refere que as acusações são "falsas" que "não há qualquer prova" e recorda que na CNE há comissários indigitados pelo Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), principal força política da AMP.

"Estas acusações são falsas. É irresponsável num momento destes colocarem estas acusações", disse, afirmando ao mesmo tempo que a AMP está a violar a lei eleitoral quando continua hoje, dia de reflexão, a publicar nas redes sociais, fotos da campanha eleitoral.

O vice-presidente da AMP, Fidelis Magalhães, disse à Lusa que os alertas têm algum fundamento" e que pretendem evitar qualquer abuso do processo ou "falhas intencionais".

"Queremos e esperamos que não haja falhas intencionais no processo. Seria ótimo para todos nós. Alertar previamente, com algumas informações, acho que é bom", afirmou.

O dirigente da AMP insistiu que a coligação vai aceitar o resultado e negou que as declarações sejam uma tentativa de antecipar eventuais denúncias se a votação não for favorável.

"Vamos aceitar todos os resultados. Mas o que é importante é que o resultado venha de um processo justo e de um processo claro e transparente. Viemos de um período político bastante intenso onde existiram vários abusos pela parte dos partidos do Governo e por isso é natural que neste sentido tenhamos maiores preocupações", disse.

Instado a comentar as suspeitas levantadas pela AMP, José Ramos-Horta, ministro de Estado, disse à Lusa que a AMP está a preparar-se para a necessidade de ter que contestar os resultados.

"É óbvio que se trata de políticos que sabem que há uma grande onda de rejeição da AMP, pelas razões que eles sabem melhor que ninguém e estão a preparar um possível cenário para contestarem", afirmou Ramos-Horta, que tem feito campanha pela Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin).

"O Governo tem estado a comportar-se com extremo rigor, integridade e no que toca ás instituições responsáveis pela supervisão e organização, CNE e STAE só têm tido os melhores elogios dos observadores internacionais e embaixadas acreditadas em Timor-Leste", considerou.

Considerando que as equipas dos órgãos eleitorais têm mostrado "grande rigor e integridade", Ramos-Horta disse que "há mecanismos" a que todos podem recorrer, desde o momento do voto à contagem, e que incluem no limite recurso aos tribunais.

"Portanto aconselho à AMP se acalme e aguarde pelo ato eleitoral serenamente, como estamos a fazer. Posso dizer que, caso seja a AMP a ganhar, a Fretilin com toda a humildade e dignidade felicitará os vencedores e não vai inventar, arranjar bodes expiatórios", afirmou.

"Havendo razões para contestar o resultado seguirá os mecanismos que existem na lei", frisou. Timor-Leste está hoje e sexta-feira em período de reflexão antes da votação de sábado.

Lusa