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Coreia do Norte só avança para a cimeira com EUA se não for "unilateral"

Lucas Jackson

A Coreia do Norte afirmou hoje não estar interessada numa cimeira com os Estados Unidos, caso esta se reduza à "exigência unilateral" do desarmamento nuclear, horas depois de ter cancelado uma reunião com a vizinha do Sul.


O encontro marcado entre as Coreias foi cancelado esta manhã pela Coreia do Norte, que justificou a decisão com as manobras militares conjuntas de Seul e Washington.


Entretanto, o Ministério da Defesa sul-coreano garantiu que os exercícios militares vão continuar apesar da "reação irada" do Norte, uma vez que se destinam a melhorar as habilidades dos pilotos e "não são exercícios de ataque".


A irritação norte-coreana ameaça agora pôr em causa a histórica cimeira entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada para 12 junho em Singapura.


Em declarações oficiais, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano afirmou que a Coreia não tem qualquer interesse numa cimeira de "negociações unilaterais".


Kim Kye-gwan criticou os recentes comentários do conselheiro da Segurança Nacional de Trump, John Bolton, e de outras autoridades norte-americanas, sobre como o Norte devia seguir o "modelo líbio" de desarmamento nuclear e fornecer um "desmantelamento completo, verificável e irreversível".


O responsável também criticou outros comentários dos EUA, relativos ao abandono não apenas das armas nucleares e mísseis, mas também das armas biológicas e químicas.


"Não estamos interessados numa negociação que se reduza a levar-nos para uma esquina com a exigência unilateral de desistirmos das nossas armas nucleares, o que nos força a reconsiderar se avançamos mesmo com a cimeira entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos", concluiu.


Kim Jong-un chegou ao poder semanas após a morte do ex-líder líbio Muammar Khadafi, pelas forças rebeldes aquando de uma revolta popular em outubro de 2011. Pyongyang usa frequentemente a morte de Khadafi como argumento para justificar o desenvolvimento nuclear diante das ameaças dos Estados Unidos.

Lusa

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