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Filho de Trump não se recorda se discutiu investigação sobre ingerência russa com o pai

Sue Ogrocki / AP

O filho mais velho do Presidente dos Estados Unidos afirmou, durante uma audição no Senado, que não se recordava se tinha discutido a investigação sobre a alegada ingerência russa nas presidenciais norte-americanas com o pai, foi hoje divulgado.

Em setembro passado, Donald Trump Jr. foi ouvido numa audição no Comité de Justiça do Senado (câmara alta do Congresso norte-americano) no âmbito de uma das várias investigações relacionadas com o dossiê russo.

Hoje, o comité divulgou mais de 1.800 páginas com a transcrição das audições do filho mais velho do Presidente e de outros elementos que marcaram presença numa reunião com uma advogada russa nas instalações da Trump Tower, em Nova Iorque, antes das eleições presidenciais norte-americanas de novembro de 2016.

Trump Jr. evitou responder a várias perguntas durante a audição, afirmando que não se recordava, nomeadamente se tinha falado com o pai sobre a investigação, segundo a transcrição.

Também disse que não achava que existisse algo de errado em participar na reunião que decorreu na Trump Tower em junho de 2016, encontro que foi marcado com a promessa de acesso a documentos comprometedores para a então candidata presidencial democrata Hillary Clinton.

Esta reunião está igualmente sob escrutínio na investigação federal sobre a alegada ingerência da Rússia liderada pelo procurador especial Robert Mueller.

A par de Trump Jr., o comité do Senado ouviu outras quatro pessoas que estiveram presentes na reunião em Nova Iorque: Rob Goldstone (o publicitário britânico ligado à indústria musical russa que agiu como intermediário para marcar o encontro); Rinat Akhmetshin (um ex-espião soviético que trabalha como lobista); Ike Kaveladze (um empresário com dupla nacionalidade russa e americana) e um tradutor.

O comité não chegou a ouvir pessoalmente Natalia Veselnitskaya, a advogada russa que esteve no centro da reunião na Trump Tower. O painel do Senado divulgou, no entanto, as respostas por escrito que a advogada enviou para o presidente do Comité de Justiça, o republicano Chuck Grassley, no ano passado.

O procurador especial Muller está a investigar a alegada ingerência russa nas eleições norte-americanas de 2016, se a campanha presidencial de Trump está envolvida e se existiu uma eventual obstrução da justiça.

A reunião na Trump Tower, e a resposta inicial da administração norte-americana às informações relacionadas com este encontro, têm sido um dos focos da investigação federal.

No ano passado, e após a divulgação de notícias sobre a reunião na Trump Tower, a Casa Branca afirmou que o Presidente tinha estado envolvido na elaboração da declaração inicial sobre o encontro.

A declaração disse então que o encontro tinha sido agendado para abordar um programa de adoções de crianças russas.

Uma versão contrariada por mensagens de correio eletrónico divulgadas pelo próprio Trump Jr. Os 'emails' mostraram que o filho mais velho do Presidente tinha aceitado ir ao encontro após a promessa de informações comprometedoras sobre Clinton.

Ainda no âmbito do dossiê russo, o filho mais velho de Trump também foi ouvido, em dezembro do ano passado, na Comissão de serviços de informações ('Intelligence') da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso).

Lusa

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