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Última refeição do "Homem do Gelo" foi um autêntico banquete

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Uma equipa de investigadores descobriu qual foi a última refeição do chamado "Homem do Gelo", uma múmia encontrada nos anos 90 em Itália que viveu há mais de 5.000 anos. E era um autêntico banquete.

A DESCOBERTA DO "HOMEM DO GELO"

Tudo começou em 1991 quando um grupo de alpinistas descobriu, por acidente, uma múmia num estado de conservação nunca antes visto.

Foi localizada na região alpina de Venoste, em Itália, e acabou por receber a alcunha de "Homem do Gelo".

Ao longo dos últimos 27 anos, o excelente estado de conservação em que a múmia se encontra - viveu há cerca de 5.300 anos - permitiu à comunidade científica apurar uma série de dados que ajudam a explicar como vivia o ser humano há cinco séculos e que hábitos mantinha.

A ÚLTIMA CEIA DE ÖTZI

A mais recente descoberta está relacionada com os hábitos alimentares. Uma equipa do centro italiano de investigação Eurac analisou o que estava presente no estômago da múmia, também conhecida como Ötzi, através do ADN, proteínas, lípidos e carboidratos, e tirou conclusões reveladoras.

Carnes de veado-vermelho e ibex (um mamífero caprino que habita nos Alpes), trigo e vestígios de uma planta tóxica: estes foram os ingredientes da última refeição de Ötzi, tomada cerca de uma a duas horas antes da morte e "perfeitamente adequada às exigências da vida numa região alpina".

Segundo os investigadores, "Ötzi parecia ter consciência da importância das gorduras enquanto fonte de energia", tendo em conta as condições atmosféricas da zona em que vivia.

Os alimentos encontravam-se em boas condições quando foram ingeridos mas o que intrigou mais a equipa foi a presença de matéria tóxica no estômago da múmia, oriunda de uma planta - Pteridium.

Segundo o estudo, "Ötzi poderá ter sentido dores de estômago devido aos parasitas que tinha no intestino, já identificados em análises anteriores, e ingeriu folhas dessa planta como remédio. Também é possível que ele tenha usado folhas para colocar a comida, o que levou a que vestígios da planta tenham ido inadvertidamente para o estômago".

Certo é que Ötzi não terá passado fome nas últimas horas de vida. Certo também é que não foi a planta que o matou. Ötzi foi morto por uma seta que ainda estava presente no cadáver.