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Irão cancela visita do primeiro-ministro do Iraque por este acatar sanções dos EUA

Primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi.

Toru Hanai

O Irão cancelou a visita do primeiro-ministro iraquiano, depois de este ter dito que se opõe às novas sanções dos Estados Unidos a Teerão, mas que não tem alternativa senão cumpri-las, anunciou este domingo uma fonte de Bagdade.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, tinha previsto visitar o Irão e a Turquia esta semana. Segundo a mesma fonte, mantém-se a visita à Turquia, a partir de terça-feira.

A fonte é citada pela Associated Press. O porta-voz do Governo iraquiano recusou comentar.

O Irão tem mantido relações próximas com as autoridades do Iraque desde que, em 2003, a invasão liderada pelos Estados Unidos da América (EUA) fez cair Saddam Hussein, arqui-inimigo de Teerão.

Desde então, Bagdade também tem desenvolvido laços próximos com Washington, forçando o seu Governo a equilibrar as relações com os dois países.

O Iraque tem servido de mediador, em algumas ocasiões, em conversações entre o Irão e os Estados Unidos.

Desde que chegou ao poder em 2014, al-Abadi tem procurado projetar uma imagem de independência em relação ao Irão, enquanto mantém relações amistosas.

Mas o primeiro-ministro iraquiano parece ter aborrecido Teerão quando afirmou à imprensa, na semana passada, que apesar de se opor, por princípio, às sanções norte-americanas, o Iraque não as pode violar e arriscar uma ação punitiva da administração de Donald Trump.

"Posso eu, o primeiro-ministro do Iraque, ameaçar os interesses dos iraquianos só para tomar uma posição?", questionou al-Abadi, que acrescentou: "Nós não concordamos com as sanções, não pensamos que elas sejam apropriadas, mas estamos empenhados em proteger o nosso povo".

Na semana passada, a administração norte-americana começou a repor sanções que tinham sido retiradas na sequência do acordo nuclear com o Irão, do qual Trump decidiu retirar os EUA.

A administração norte-americana diz que as sanções se destinam a pressionar Teerão a interromper o seu alegado apoio ao terrorismo internacional, a sua atividade militar no Médio Oriente e os seus programas de mísseis balísticos.

Lusa

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