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Oposição do Zimbabué adia cerimónia de investidura de Chamisa devido a surto de cólera

AARON UFUMELI / EPA

O principal partido da oposição do Zimbabué adiou a cerimónia de investidura simbólica do seu líder Nelson Chamisa como presidente "legítimo" do país devido a um surto de cólera na capital, Harare, anunciou hoje o partido.

"O Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla inglesa) adiou as celebrações, programadas para sábado, do 19º aniversário devido ao surto de cólera", referiu o porta-voz Jacob Mafume em comunicado.

Jacob Mafume afirmou que "está claro que o Governo abusou da epidemia de cólera por razões políticas".

"Duvidamos que a proibição da nossa comemoração seja motivada pela preocupação de parar a contaminação", salientou.

Nas eleições presidenciais, em 30 de julho, Emmerson Mnangagwa foi declarado eleito com 50,8% dos votos, enquanto Chamisa, líder do Movimento para a Mudança Democrática, obteve 44,3%.

As autoridades do Zimbabué proibiram, na quarta-feira, qualquer reunião pública em Harare, num esforço para conter o surto de cólera que já provocou a morte de pelo menos 25 pessoas, segundo o último relatório do Ministério da Saúde.

A Universidade do Zimbabué, em Harare, adiou a cerimónia de formatura marcada para hoje.

Na terça-feira, o Zimbabué declarou estado de "emergência sanitária" devido ao surto de cólera que já provocou a contaminação de 2.000 pessoas devido à ingestão de água contaminada.

O surto começou nos subúrbios de Glen View e Budiriro, onde, segundo funcionários do Conselho Municipal de Harare, uma fuga num cano de esgoto contaminou a água dos poços comunitários que abastecem as comunidades locais.
Harare, como muitas outras aldeias e cidades do país, não dispõe de água potável suficiente, obrigando as habitantes a usar água de poços não protegidos.

O Governo do Zimbabué pediu ajuda às Nações Unidas e a empresas privadas para que abasteçam as zonas contaminadas com água potável.

Esta é a quarta vez, nos últimos 15 anos, que a cólera - doença tratável que causa vómitos e diarreia intensos e pode ser mortal se não for tratada a tempo -, atinge o Zimbabué.

Em 2008 e 2009, a maior epidemia de cólera registada na história do país matou mais de 4.000 pessoas em nove meses e mais de 90.000 foram infetadas.

Lusa

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