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Polícia brasileiro diz que suástica cortada na barriga de jovem "é um símbolo de amor"

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Uma jovem braisleira confessou às autoridades que foi atacada por três homens, devido aos adesivos que tinha na mochila: uma bandeira LGBT e as palavras "Ele não", uma referência ao movimento de mulheres contra o candidato Jair Bolsonaro. Na sua barriga foi riscada, com um canivete, uma suástica. O polícia encarregue do caso defendeu que este era um "símbolo budista de harmonia, de amor, de paz e fraternidade".

A jovem terá sido atacada na noite de segunda-feira, no bairro Cidade Baixa, por três homens que a atingiram com socos e usaram um canivete para riscar uma suástica na sua barriga. Perante o medo de ser encontrada, a jovem só confessou às autoridades o crime depois de ser convencida por uma amiga.

De acordo com o jornal Globo, a jovem descreveu os seus atacantes como "mauricinhos da Padre Chagas" (uma rua na zona da classe alta de Porto Alegre). "Eles não eram carecas, nem cabeludos. Também não tinham tatuagens", citou o jornal brasileiro.

O delegado da 1.ª Delegacia de Porto Alegre disse que os suspeitos da agressão ainda não tinham sido identificados e que o desenho não era um símbolo extremista. Apesar de ser um símbolo encontrado em muitas culturas e desde o Período Neolítico, nas últimas décadas, a suástica é vista como a imagem do nazismo e da extrema-direita.

"Eu fui olhar o desenho que fizeram na barriga dela. É um símbolo budista, de harmonia, de amor, de paz e de fraternidade. Se tu fores pesquisar no Google, tu vai ver que existe um símbolo budista ali. Essa é a informação", disse Paulo Jardim, em declarações à BBC Brasil.

A jovem denunciou o caso esta quarta-feira à polícia mas, segundo a advogada, "optou por não representar criminalmente". Ou seja, não vai prosseguir com a queixa devido ao "abalo emocional". Perante isto, o delegado Paulo Jardim informou que a investigação estava agora suspensa.

A advogada confessou também que as declarações do delegado foram precipitadas e que, rapidamente, Paulo Jardim percebeu "gravidade e a proporção do caso e então passou a dar a atenção correta".

" Não pode confundir suástica, símbolo do nazismo, com símbolo de amor, da paz budista, porque é justamente isso que está acontecendo na política atual."

O delegado mudou então a postura perante o caso. "Eu não tenho dúvida disso, ela não tem dúvida disso, a advogada não tem dúvida. Ela foi vítima de mais um ataque homofóbico de três bobalhões porque viram a bandeirinha LGBT", disse, citado pelo Globo.

As redes sociais

O caso foi denunciado nas redes sociais pela jornalista, Ady Ferrer. "Ela foi agredida, humilhada no meio da rua. E como se não bastasse, dois homens seguraram seus braços, enquanto o terceiro cravava uma suástica na sua costela", escreveu no Facebook.

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