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Mulher de ex-presidente da Interpol acusa governo chinês de perseguição

INTERPOL / HANDOUT

A mulher do ex-presidente da Interpol acusado de corrupção na China depois de desaparecer em circunstâncias conturbadas disse esta sexta-feira temer pela sua própria segurança e não saber se o marido está vivo, acusando o governo chinês de "perseguição".

As acusações foram feitas por Grace Meng em entrevista ao canal britânico BBC a partir de França, onde esta reside com os filhos.

"Eu acho que é perseguição política, não tenho certeza se ele está vivo", disse, na entrevista transmitida na quinta-feira.
Meng Hongwei, que teoricamente ainda é o vice-ministro de segurança pública da China, desapareceu no final de setembro quando regressava ao seu país.

Hongwei tinha renunciado ao cargo de chefe da organização policial a 07 de outubro, depois de Pequim ter anunciado que estava sob investigação.

"Eu disse (aos meus filhos) que o pai estava fora para uma longa viagem de negócios", disse Grace Meng.

Na entrevista, Grace Meng afirma ter recebido vários telefonemas ameaçadores que a fazem pensar que ela é um "alvo" em França.

"Eles são cruéis, são infames", disse Grace Meng sobre as autoridades chinesas.

"Eu tenho que me levantar contra isso e não quero que outras mulheres ou crianças vivam o que eu vivo", afirmou.

A Comissão Nacional de Supervisão, que está investigar o caso de Meng, pode manter os suspeitos incomunicáveis por seis meses, sem avisar as suas famílias ou dar-lhes acesso a um advogado.

A Interpol endereçou um pedido formal às autoridades chinesas para obter informações sobre o desaparecimento de Hongwei Meng.

O inquérito foi aberto depois de a mulher de Hongwei Meng ter avisado as autoridades francesas que deixou de ter qualquer notícia do marido desde finais de setembro, quando este partiu para a China.

De acordo com a rádio "Europe 1", a mulher de Hongwei Meng, que ainda se encontra a residir em Lyon, com os filhos, avisou as autoridades que o marido, de 64 anos, não dava notícias desde 29 de setembro.

Em França foi lançada também uma investigação, com as autoridades a indicarem que Meng, 64 anos, embarcou e chegou à China.

Lusa

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