Mundo

ONU quer fornecer alimentos a 14 milhões de iemenitas

Hani Mohammed

A Organização das Nações Unidas indicou esta quinta-feira que pretende intensificar os seus programas de assistência ao Iémen para fornecer uma ajuda alimentar a 14 milhões de habitantes, cerca de metade da população do país, ameaçados pela fome.

"O Programa Alimentar Mundial da ONU está a realizar planos para atingir até 14 milhões de pessoas por mês, em vez dos atuais sete a oito milhões", declarou à comunicação social o porta-voz desta agência das Nações Unidas, Hervé Verhoosel.

A ajuda alimentar distribuída até agora "contribuiu para impedir a fome, mas parece que vão ser precisos esforços ainda maiores para evitar uma fome generalizada", indicou, em comunicado.

"Este novo objetivo de 14 milhões necessita de um enorme trabalho de logística, de sensibilização, de financiamento e de preparação", acrescentou.

Este anúncio ocorre depois de 35 organizações não-governamentais terem apelado, na quarta-feira, a "uma cessação imediata das hostilidades" no Iémen, onde, apontaram, "14 milhões" de pessoas estão ameaçadas pela fome.

Em meados de outubro, o secretário-geral-adjunto da ONU para os assuntos humanitários, Mark Lowcock, tinha avisado que até 14 milhões de pessoas poderiam estar em situação de "pré-fome" nos próximos meses no Iémen, considerada a pior do mundo.

Segundo Mark Lowcock, "8,4 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar grave".

"No pior caso, este número de 8,4 milhões pode aumentar em 5,6 milhões, o que coloca o número total de pessoas em condição de pré-fome em 14 milhões", sublinhara Lowcock, em documento datado de 18 de outubro e entregue aos 15 membros do Conselho de Segurança nas Nações Unidas.

Desde 2015 que está a decorrer uma guerra no Iémen que opõe rebeldes houthis, apoiados pelo Irão, que controlam o porto de Hodeida e a capital, Sanaa, a uma coligação árabe, sob comando saudita, que defende o governo refugiado em Aden, no sul do país.

Em mais de três anos, o conflito já provocou cerca de dez mil mortos, segundo a ONU.

Lusa

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