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Presidente do Egito nega ter gozado com o seu povo em declaração sobre obesidade

Hannibal Hanschke

O Egito tem uma das maiores taxas de obesidade do mundo e no dia 15 de dezembro o Presidente abordou a questão numa declaração na televisão.

O Presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, negou esta quarta-feira ter gozado com o seu próprio povo, na sequência de uma vaga de críticas nas redes sociais devido aos seus apelos para que os egípcios percam peso.

"Como posso eu envergonhar a minha própria família? Os egípcios são a minha família. Como posso eu vê-los (a engordar) e ficar calado?", questionou esta quarta-feira Al-Sisi em declarações transmitidas pela televisão.

O Egito tem uma das maiores taxas de obesidade do mundo e no dia 15 de dezembro o Presidente abordou a questão numa declaração na televisão, alertando: "O que se passa com estas pessoas? Porque não se cuidam?"

Estas declarações suscitaram uma onda de críticas nas redes sociais, com os utilizadores a considerarem tratar-se de uma atitude de escárnio e desdém por parte do chefe de Estado.

Esta quarta-feira, o Presidente respondeu às críticas, explicando que se fala da obesidade "é porque se trata de um fenómeno, ou seja, de um número importante" de pessoas que sofrem de excesso de peso.Al-Sisi, que se exibe regularmente a fazer exercício físico e a andar de bicicleta, disse querer fazer esforços junto dos mais novos para sensibilizá-los para uma alimentação mais saudável.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o Egito tem uma das mais elevadas taxas do mundo de excesso de peso, problema que afeta 63,5% da população.O fenómeno atinge todas as camadas da população, mas as famílias desfavorecidas são as mais afetadas.

Num país em pleno marasmo económico e submetido a medidas de austeridade há dois anos, os egípcios sofrem de uma redução do seu poder de compra, que segundo eles lhes limita o acesso a uma alimentação variada e de qualidade.

Al-Sisi tem protagonizado nos últimos anos uma repressão generalizada no Egito, com detenções e condenações à morte de opositores e críticos.

O Egito ocupa o 161ª lugar (em 180 países) na classificação 2017 dos Repórteres sem fronteiras (RSF) sobre liberdade de imprensa. Pelo menos 29 jornalistas estão presos e 500 'sites' da internet foram bloqueados em menos de um ano.

Lusa

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