Opinião

Dois momentos numa vida

Cruzei-me poucas vezes com Belmiro de Azevedo. Recordo duas, pouco simpáticas, para ambos.

Uma primeira, em 1997, estava à porta da Sonae à espera que ele chegasse para lhe colocar umas perguntas das difíceis.

Claro que não passei do portão exterior, que tinha uma cancela, como nos parques de estacionamento.

Esperei

Esperei

Esperei.

Por fim, lá apareceu o carro, com motorista.

Coloquei-me quase no meio da estrada, acenei com o microfone da TSF na mão.

Fiz-me ver.

Tinha esperança de que parasse, abrisse o vidro e respondesse.

Pouca esperança, ainda assim.

Mas a nossa vida de repórteres faz-se de tentar.

Não consegui.

Ao ver-me, e perceber que tinha um microfone na mão, o carro acelerou ainda mais e fez a curva de entrada no parque com os pneus a chiar.

Não me apanhou por um triz.

Sim, eu sei que estava no meio da estrada, mas era esse o objectivo.

Falhei.

Dez anos mais tarde, estava na sala do CLIP, o colégio fundado por Belmiro.

Ele, no seu telefone Optimus, recebeu a notícia do chumbo da OPA da SONAE sobre a PT durante uma sessão onde era convidado.

Mal acabou, saltamos-lhe em cima.

Quase literalmente.

Do menos um até à saída, perseguimos o Sr. Sonae.

Perguntas seguidas, disparadas de rajada, num confronto quase físico, entre perguntas e poucas respostas.

Ele esquiva-se, tentava não se comprometer na reacção a quente.

Os miúdos mais velhos do colégio perceberam que Belmiro estava «em apuros».

Fizeram uma espécie de cordão de segurança e partiram para o empurrão.

Não foi fácil.

Belmiro, a determinada altura, deixou de responder e continuou sempre de passo largo até se refugiar no carro.

O momento era delicado.

Ele, acossado, nunca desistiu.

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