Opinião

Talvez poder

Os Generais ficaram quietos e calados até verem cair o Ministro. O Ministro caiu. E o General caiu logo a seguir. Os militares, ainda que remetidos às casernas e às cerimónias de salão, continuam a ser uma corporação forte, que age em bloco, sem hesitações.

Como são, também, especialistas em tática e estratégia, acabam por, muitas vezes, não "acatar" a ordem dos políticos.

Seguem com as suas próprias regras, hierarquias, procedimentos.

Porque se consideram superiores ao Ministro - seja ele qual for - cheios de brio, de garbo, de razão e autodenominados guardiães da honra e reserva moral da rés publica.

Em muitos casos, muitos mesmo, asssim será.

Mas esta história do roubo de Tancos envergonha tanto políticos como militares.

"A função do Ministro da Defesa não é guardar paióis" disse, vezes sem conta, o chefe do Governo;

Tem razão no enunciado, mas não no argumento que utilizou para ir segurando o agora ex-ministro.

Mas os militares servem, também, para guadar paióis.

E não guardaram.

Esta demissão do CEME vem tarde, a muito más horas, e deixa fragilizada a tal "instituição militar".

Porque o dever do CEME, neste caso, seria assumir as responsabilidades operacionais que lhe cabem e ter saído no dia seguinte.

Ficou. E foi ficando até ver sair o Ministro.

Sai agora.

"Um dia, havemos de saber o que todos aqui sabiam" disse António Costa, no Parlamento.

Faz lembrar o "eu sei que você sabe que eu sei que você sabe que eu sei", frase célebre de Maria José Nogueira Pinto dirigida a Lobo Xavier no congresso do CDS em Braga que elegeu Portas pela primeira vez para a liderança.

Se calhar, nunca saberemos o que cada um deles sabe ou soube.

O ponto é que o político caiu antes do militar.

Talvez, poder?

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