Opinião

Borba não dá votos 

Borba, Castelo de Paiva, Monchique, Pedrógão e outras tragédias não vão desaparecer. Por muito que nos custe.

Porque temos um país centrado na bolha de Lisboa, do Terreiro do Paço, nas lutas partidárias - e não políticas - e assente num regime em que quem governa, dirige ou chefia a administração pública não percebeu ainda que nós todos, nas eleições, lhes damos esse supremo privilégio, que também é uma responsabilidade e um encargo. O de gerirem um país que é de todos.

A cada eleição, a cada Legislatura, a luta partidária cega e disparatada, que diz pouco ou nada a todos os que no
país não têm cartão de militante de um qualquer partido, segue sempre o mesmo ciclo vicioso. Uma governação de navegação à vista, a pensar nas eleições seguintes e na clientela que há para satisfazer.

Borba não dá votos.
Nem Castelo de Paiva.
Nem Pedrógão.
Nem Monchique.

E, por isso, os relatórios ficam nas gavetas. As decisões são adiadas, os projetos não passam disso mesmo.

E nunca há dinheiro para nada.

Nos próximos dias vão surgir dezenas de inspeções a estradas e pontes sinalizadas. Daqui a semanas, o assunto morre de morte natural, até à próxima.
E a próxima não tarda.
Seja onde for.

A falta de decoro, de sentido de Estado, de assunção de responsabilidades técnicas e políticas, de passa culpas, é um triste e degradante espetáculo público.


Depois, queixamo-nos da abstenção.
Não sabem porquê?

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