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Exames médicos para renovar carta de condução sem fiabilidade, diz presidente da PRP 

O presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa  considera que os exames médicos feitos aos condutores para renovar a carta  de condução não têm fiabilidade. 

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© Edwin Montilva / Reuters

"Formalmente, cumprimos os preceitos exigidos. Mas qual é a fiabilidade  desses exames? Nenhuma", afirmou José Manuel Trigoso em declarações à agência  Lusa. 

Apesar de já ter tido conhecimento da realização de testes a condutores  por empresas de ótica, o especialista em segurança rodoviária diz não existirem  dados que caracterizem a realidade nesta matéria. 

Admite, contudo, que a percentagem de condutores com problemas de visão  "é muito grande". 

Embora a audição seja outro dos sentidos fundamentais para quem conduz,  José Manuel Trigoso diz que a visão é o mais importante, pois 80 por cento  da informação necessária para circular chega aos automobilistas através  da vista. 

A questão sobre a fiabilidade dos atestados coloca-se - sustenta o homem  que trabalha na PRP há quase 40 anos - porque são passados por médicos  de clínica geral e não por oftalmologistas ou otorrinolaringologistas. 

"É um passo administrativo", considera, sintetizando: "O objetivo é  conseguir o papel", que, ainda por cima, é passado em "concorrência", o  que "dá mau resultado", pois o critério para decidir acaba por ser "onde  é mais rápido". 

Invocando os "vários anos" em que presidiu à Prevenção Rodoviária Internacional,  que reúne meia centena de países, José Manuel Trigoso afirma que a situação  é bem diferente nas nações mais avançadas na prevenção de acidentes rodoviários.

Em países como a Holanda, o Reino Unido ou a Suécia, "quando é obrigatório  obter um atestado, a sociedade organiza-se de modo a que o que ele atesta  seja verdade", exemplifica. 

"Cá, pactuamos com uma falta de rigor muito grande", "há a cultura de  facilitar o exame", numa lógica de "dá cá o papel que eu preciso", acusa  o responsável. 

 

Lusa

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