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Aquecimento global responsável pelos fogos florestais na Europa que duplicaram num ano

Casas e viatura queimadas em Castanheira de Pera.

Miguel Vidal/ Reuters

O número de fogos florestais nos países europeus mais do que duplicou este ano. Os peritos apontam o dedo às alterações climáticas que fazem com que a época de incêndios seja maior e os fogos mais frequentes. E a tendência é para piorar.

Portugal, Espanha, Itália, Croácia foram - e estão a ser - os países europeus mais atingidos pelos fogos este verão, com temperaturas altas e menos chuva que o normal.

Este ano, o número de fogos florestais mais do que duplicou - 1671 até agora, contra a média dos últimos oito anos de 639 por ano, revela o EFFIS - o organismo europeu que centraliza as informações sobre fogos.

Fogos começam mais cedo, acabam mais tarde e queimam durante mais tempo

Os investigadores afirmam que as alterações climáticas estão alterar os padrões: o período dos fogos florestais aumenta dos tradicionais dois meses para cinco meses. Os incêndios começam mais cedo, acabam mais tarde e queimam durante mais tempo.

Thomas Curt, investigador do National Research Institute of Science and Technology for Environment and Agriculture, já em junho afirmava, em declarações à Euronews, que o aquecimento global era um dos grandes responsáveis pelo incêndio em Pedrógão Grande, em que morreram 64 pessoas.

Alexander Held, perito do European Forest Institute, concorda com Thomas Curt e vai mais longe ao afirmar que os fogos florestais vão começar a atingir novas áreas.

"Vamos ter muito mais surpresas e fogos a arder em sítios onde não há história de fogos", afirma à Euronews. "Vamos ter mais fogos e mais intensos no Mediterrâneo e novas situações em países onde não estamos à espera". E dá como exemplos Alemanha, Holanda, Dinamarca, Áustria e Suíça.

"A culpa é do tempo - sendo que 'tempo' é um diminutivo para clima. Vamos ter estas situações climatéricas extremas muito mais vezes - isto são as alterações climáticas", avisa.

Prevenção, interesses económicos e políticos.

Este especialista em florestas e em fogos florestais deixa o apelo para que mais seja feito em termos de prevenção e ordenamento do território.

Afirma que o que aconteceu em Portugal em junho é também culpa dos donos das terras que arderam - que lucram ao atear incêndios.

Além disso, afirma que retirar orçamento do combate aos incêndios para investir na limpeza de terrenos não é algo que um político equacione fazer.

"O combate aos incêndios é uma questão política e económica (...) se um político encomenda mais helicópteros [de combate aos incêndios] fica bem visto. Mas se investir na limpeza de terrenos, ninguém vai prestar atenção ao trabalho de prevenção", lamenta o perito.

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